Contentamento e paciência

“A paciência é melhor do que a sabedoria; trinta gramas de paciência valem mais que meio quilo de massa cerebral. Todos os homens louvam a paciência, mas poucos a louvam o suficiente para praticá-la. É um remédio bom para todas as doenças, como afirma toda senhora de idade, mas as ervas que produzem esse remédio não crescem em todos os jardins. Quando alguém, de carne e osso como nós, fica cheio de dores, é muito natural que murmure, como é natural um cavalo abanar a cabeça quando as moscas o incomodam, ou uma roda ranger quando perde um aro. Mas a natureza não deveria ser a regra para os cristãos ou, então, para que serve sua religião? Os discípulos de um Salvador paciente também devem ser pacientes. O velho ditado aconselha: “Sorria e agüente”, mas cantar e carregar é muito melhor. A dor passada é prazer, além de trazer experiência. Nós não deveríamos ter medo de ir ao Egito quando sabemos que podemos voltar de lá com jóias, prata e ouro.” (Sabedoria Bíblica, Spurgeon. p.37)

Este é um trecho de outro artigo do livro “Sabedoria Bíblica”, do Spurgeon, aquele mesmo livro que falei sobre o “Lar”. O nome deste artigo é “Paciência”, mas poderíamos chamá-lo de “Contentamento” também! Sempre que o leio meu coração treme, porque são algumas verdades que vamos esquecendo ao longo da vida, quando os problemas surgem, quando as dores aparecem, quando o dinheiro falta; ou quando, recém-casadas, descobrimos que nosso marido faz coisas que nos incomodam muito. Vamos nos tornando pessoas impacientes e, consequentemente, ingratas ao nosso Pai que tem sido bom conosco e nos dado tudo que necessitamos e ainda mais!

Mais uma vez, vou apelar às citações (hehehe), mas é porque realmente acho que vale a pena compartilhar com vocês um pouco de textos tão maravilhosos que venho lendo neste livro! São textos tão, mas TÃO cotidianos que se encaixam perfeitamente em situações na nossa casa, na nossa família!

Penso que paciência e contentamento (e gratidão) andam juntos! A questão é que, se olhamos nossa vida sem a gratidão por tudo que o Senhor tem nos dado e feito, se não nos contentamos com tudo (e Ele nos dá muito mais do que necessitamos) que temos recebido do nosso Pai, seremos rapidamente impacientes com as coisas que não estão bem do jeito que queríamos. Nós seres humanos somos insaciáveis! Conheço pessoas (bem abastadas, por sinal) que nunca estão satisfeitas com o que tem, que acham que os outros estão sempre em melhores condições, as coisas nunca estão “bem do jeito que elas queriam”, reclamam das dores, dos outros, de quase tudo.

“Pessoas impacientes lavam suas misérias e sulcam seu bem-estar; as tristezas são visitantes que chegam sem ser convidados, mas as mentes queixosas causam um vagão de problemas em sua casa. Muitas pessoas nascem chorando, vivem se queixando e morrem frustradas; elas mastigam a pílula amarga sem sequer saber que não seria tão amarga se tivessem inteligência para engoli-la inteira, com um copo de paciência e água. Pensam que a carga dos outros homens é leve, e a delas pesa como chumbo. Dificilmente elas se cansam da própria opinião. A neve que cai em volta de sua porta é mais espessa, e o granizo faz um barulho mais forte em suas janelas. Contudo, se a verdade fosse conhecida, ficaria claro que é a fantasia delas, e não a má sorte, que faz parecer que as coisas vão mal, a ladainha poderia ser posta de lado se não pensassem apenas nisso. Se pomos um raminho da erva chamada contentamento em uma sopa bem rala ela terá um sabor tão bom como a torta do prefeito.” (p. 38)

A questão do contentamento e da paciência estão mesmo bastante ligados. Eu confesso que demorei pra pegar o elo entre as duas coisas. Mas a verdade é que a impaciência revela muitas coisas que estão no coração. Desde a falta de contentamento, falta de gratidão e a falta de confiança na providência divina.

“Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.
Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR possuirão a terra.   Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.” (Salmo 37: 7, 8, 9 e 11)

Uma das partes que mais me chamou a atenção neste artigo quando li a primeira vez, foi esta:

“Ser pobre nem sempre é agradável, mas coisas piores que isso acontecem no mar. Sapatos pequenos são ótimos para apertar, mas não se o pé for pequeno; se temos poucos recursos, é ótimo que tenhamos desejos modestos.” (p. 38)

Nosso Deus nunca nos garantiu riquezas e bens nessa terra. Ele sequer nos garantiu grande conforto provenientes desta vida! Ele garantiu que nos daria o que vestir, o que comer e ordenou que nos alegrássemos (e Ele tem nos dado tanto mais que isso!). E não é muito difícil encontrar conforto quando nossos olhos estão em Cristo. Como está lindamente escrito no Catecismo de Heidelberg:

1. Qual é o seu único conforto na vida e na morte?

R. O meu único conforto é que – corpo e alma, na vida e na morte – não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel Salvador, Jesus Cristo, que, ao preço do seu próprio sangue, pagou totalmente por todos os meus pecados e me libertou completamente do domínio do pecado. Ele me protege tão bem que, contra a vontade de meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo. Na verdade tudo coopera para o meu bem e o seu propósito é para a minha salvação. Portanto, pelo seu Espírito Santo ele também me garante a vida eterna e me torna disposto a viver para ele, daqui em diante, de todo o coração.”

(Catecismo de Heidelberg – IBRVN)

“Quando uma porta se fecha, Deus abre outra, se as ervilhas não crescem bem; os feijões crescem, se uma galinha abandona seus ovos, outra choca toda a ninhada. Há um lado luminoso em todas as coisas, e um Deus bom em todos os lugares. Em um lugar ou outro, no meio da pior onda de problemas sempre há terra firme onde pôr nosso contentamento, e se não houver temos de aprender a nadar.

Amigo, como diziam os antigos, ponha paciência e água no mingau de aveia antes de apanhar os miseráveis e transmitir aos outros a doença pecaminosa de encontrar imperfeições em Deus. O melhor remédio para a aflição é submeter-se à providência. O que não pode ser curado, deve ser suportado. Se não pudermos ter bacon, louvemos a Deus, pois ainda temos alguns repolhos na horta.” (p.40)

E por último, cito mais uma pergunta do Catecismo de Heidelberg, que creio que é o resumo de todo o artigo de Spurgeon:

“28. Para que serve saber da criação e da providência de Deus?

R. Para que tenhamos paciência em toda adversidade, mostremos gratidão em toda prosperidade e para que, quanto ao futuro, tenhamos a firme confiança em nosso fiel Deus e Pai de que criatura alguma nos pode separar do amor dele. Porque todas as criaturas estão na mão de Deus, de tal maneira que sem a vontade dEle não podem agir nem se mover.”

Se o outro link não abrir, este abre! (Catecismo de Heidelberg – Monergismo)

Espero ter compartilhado claramente com vocês o que estive pensando sobre isso.
Compartilho também o link do artigo inteiro para vocês lerem:
Projeto Spurgeon – Paciência

Bom descanso pra vocês! 🙂

Anúncios

2 pensamentos sobre “Contentamento e paciência

  1. É verdade, do mesmo modo que a gente sempre acha que “a grama do vizinho é mais verde”, pensamos que os nossos fardos são mais pesados e que a vida é mais dura conosco do que com os outros. Ainda que isso fosse verdade (o que não é) Deus nos ensina a sermos gratos em toda circunstância e pacientes. Obrigada por nos lembrar essas coisas, Esther!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s