Perdão não é um sentimento

Faz mais de um mês que venho pensando sobre esse assunto. Depois de ouvir diversas pregações, ler alguns livros e claro reler na Bíblia sobre o tema, estou certa de que me falta muito para compreender e saber sobre perdão, mas o pouco que sei compartilho com vocês hoje.

Acho que todos nós algum dia já ofendemos e já fomos ofendidos, isso faz parte da nossa natureza corrompida. Erramos, magoamos, ferimos (às vezes de propósito, às vezes sem querer), somos ofendidos, somos humilhados, somos difamados e agora? O que fazer? Não foi pouco que o Senhor Jesus falou sobre esse assunto quando esteve por aqui. Há muitas passagens na Bíblia sobre perdão e a que mais me toca é a de Mateus 18:23-35 coloco aqui o texto:

“Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.
Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.”

Jesus não poderia ter sido mais claro. É um dever perdoarmos uns aos outros ou não poderemos nem mesmo fazer a oração que Jesus ensinou:

“perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;” Mateus 6:12

Esse é o correto, o justo, o ensinamento de Jesus, alguém disse que seria fácil? Que seria tranquilo de ser feito? Não. Nunca ouvi ninguém dizer isso. Mas se o Senhor Jesus ensinou Ele mesmo nos capacitará a fazê-lo, disso eu tenho certeza. A pergunta é: nós estamos dispostos a pedir perdão e a liberá-lo? Ou nosso orgulho é grande demais para assumirmos nossos próprios erros e estamos ocupados demais falando mal do nosso ofensor ao invés de dar a ele a chance de se arrepender?

No livro: “O que não me contaram sobre casamento mas que você precisa saber”, Gary Chapman aborda o tema esclarecendo alguns pontos importantes sobre perdão. A primeira grande coisa é que o perdão não é um sentimento mas uma decisão, “é a decisão de oferecer graça em vez de exigir justiça.” É aquele momento em que temos toda a razão de estarmos enfurecidos, mas abrimos mão da justiça própria por amor (que também é uma decisão) do nosso ofensor. E como amar aqueles que nos ofendem? Aí está o X da questão, somente Deus pode transformar nossos corações dessa forma. E somente aquele que “conhece a grandeza do perdão que recebeu” pode perdoar como Jesus ensinou.

Dave Harvey, em “Quando pecadores dizem sim”, escreve uma frase que está gravada bem fundo no meu coração: “pecadores perdoados perdoam pecados.” Quão grande foi o perdão que recebemos! Quão grande graça! Por que não podemos perdoar cem dinheiros se Deus, o Todo Poderoso, nos perdoou dez mil talentos?! Tem gente que fala: “Ah! mas eu nunca faria o que ele fez pra mim!” É mesmo? Você nunca faria? Que bom! Mas você comete pecados como essa pessoa, se não é esse específico, então são outros. Você está na mesma posição que ela.

Claro que o perdão não desfaz lembranças, a mente humana não é como a de Deus que afasta para longe as nossas transgressões. Nós nos lembramos dos nossos erros e dos erros dos outros. Assim como lembramos também de coisas boas. E então como lidamos com essas lembranças dolorosas? Gary Chapman afirma (e eu concordo plenamente) que nesse ponto você deve levar essas lembranças ao Senhor e pedir que Ele o ajude a esquecê-las.

Gosto de como Dave Harvey trata o perdão como algo que flui em um cano a partir de três válvulas: 1- arrependimento e pedido de perdão; 2-misericórdia  (ela livra a pessoa que pecou de estar sujeita a punição por aquele pecado); 3-aceitar o custo do pecado (a dor terminará em você, ou você a devolverá?). Nem sempre as três válvulas são abertas. Eu diria que nos dias de hoje e conversando com muitas pessoas, quase não ouço sobre alguém que pediu perdão. Isso hoje é coisa rara, uma vergonha para nós que dizemos que seguimos a Cristo, o PhD em perdão e graça. Porém, não perdoar com a desculpa de que a pessoa não se arrependeu também é pecado. Jesus ensinou que quando somos ofendidos devemos ir até o ofensor e dizer (COM GENTILEZA) como nos sentimos, às vezes a pessoa nem fez de propósito e é nosso dever dar a chance a ela de se arrepender: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;” Mateus 18:15 (pregação Augustus Nicodemus). O texto ainda ensina todos os outros passos que devemos dar caso a pessoa não se arrependa.

E não nos esqueçamos do outro lado minha gente! Nós também ofendemos, pisamos na bola, magoamos os outros. Precisamos aprender a pedir perdão de verdade e sem rodeios. Aí está um hábito ainda mais saudável do que escovar os dentes. A impressão que eu tenho é de que temos um mundo inteiro de ofendidos e nenhum ofensor. Temos que saber que nós somos aquele servo mau que cobra dos outros mas que deve muito. Pedir perdão também liberta, nos faz pessoas melhores e nos faz crescer ainda mais diante de Deus e com Ele. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” I João 1:8-9

Vale lembrar que o importante é termos um coração disposto a perdoar, pedindo sempre ao Senhor que nos capacite para isso. Principalmente nós, esposas, nos nossos lares devemos exercer (e muitas vezes precisamos demais da ajuda de Deus) o perdão. Quando é o nosso cônjuge que nos magoa parece que dói ainda mais, e eu imagino que seja a mesma coisa quando um filho magoa um pai. Esses nossos relacionamentos mais estreitos e profundos devem ser regados à muitos pedidos de perdão e muitos perdões concedidos. Só assim destruiremos as barreiras que nós mesmos construímos contra os outros, para nos proteger.

O perdão cura. O perdão nos liberta e liberta àqueles que nos ofenderam. Em uma de suas pregações Éd René fala sobre Pedro e o grande pecado de negar Jesus e o grande perdão que Jesus lhe deu através de atitudes, de olhares, de palavras. Não só perdoe, mas demonstre esse perdão. Não deixe que o seu ego e o seu coração enganoso façam você pensar que é melhor do que a outra pessoa. Ponha tudo em pratos limpos. Seja sincero e perdoe, porque não tem maior alegria do que poder dividir aquilo que ganhamos tão abundantemente do Senhor.

Para saber mais:

* O Que Não Me Contaram Sobre Casamento Mas Que Você Precisa Saber. Gary Chapman. Capítulo 6.

* Quando Pecadores Dizem “Sim”. Dave Harvey. Capítulo 6. Áudio Book aqui: http://www.ministeriofiel.com.br/videoteca_ab.php?id_prod=9165

* Pregação Pr. Augustus Nicodemus: O Perdão. http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/media.cshtml?mType=1&authContent=true&authId=31&midId=24

* Pregação Éd René: A Cura Pelo Perdão. http://ibab.com.br/mensagens/mensagem/a-cura-pelo-perdao

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