O que há de errado com o mundo.

“Bebês não têm necessidade de aprender um ofício, mas de serem introduzidos num mundo. A mulher, enfim, é geralmente encerrada numa casa com um ser humano no preciso momento em que ele começa a formular todas as perguntas que existem e algumas que não existem. Seria no mínimo estranho se ela conservasse qualquer traço da minuciosa estreiteza do especialista. Pois bem, se alguém diz que essa função de prestar uma instrução geral (ainda que livre das regras e horários modernos e exercida de modo mais espontâneo por uma pessoa mais protegida) é em si mesma severa e opressora, tento compreender seu ponto de vista. A única resposta que lhe posso dar é a de que, se nossa raça julgou conveniente lançar tal carga sobre as mulheres, o fez para conservar o senso comum no mundo. Mas, quando as pessoas começam a falar dessa função doméstica não mais como algo somente difícil, mas atribuem-lhe os rótulos “trivial” e “monótona”, então eu simplesmente desisto de discutir. Pois por mais que empenhe toda a energia da imaginação não consigo entender o que querem dizer com isso… Ser a rainha Elizabeth numa esfera delimitada, tomando decisões sobre vendas, banquetes, trabalhos e feriados; ser Whiteley numa determinada esfera, fornecendo brinquedos, botas, lençóis, tortas e livros; ser Aristóteles numa determinada esfera, ensinando moral, bons modos, teologia e higiene — entendo como isso poderia exaurir a mente, mas definitivamente não consigo imaginar como poderia estreitá-la. Como é que ensinar a regra de três para as crianças dos outros pode ser uma grande e ampla profissão e ensinar suas próprias crianças a respeito do universo, uma profissão restrita? Como é que ser o mesmo para todos pode ser grandioso, e ser tudo para alguém, algo limitado? Não pode ser. A função de uma mulher é trabalhosa, mas porque tem uma amplitude colossal e não porque tenha um alcance diminuto”.

– G. K. Chesterton, O que há de errado com o mundo.

Eu precisava, eu tinha que postar esse comentário que li compartilhado no Facebook! O texto é bastante autoexplicativo, mas mesmo assim, acho que vale um post. Vale (e se você é, ou tem amigas que são mães com dedicação exclusiva sabe porque vale a pena falar sobre isto), porque é incrível como a mãe dentro de casa tem sido reduzida a uma posição, como bem diz o autor, “trivial”, “monótona”, “restrita e diminuta”. Tenho lido muitos alguns (bem menos do que gostaria) artigos e livros sobre feminilidade bíblica e frequentemente surgem alguns exemplos de diminuição da escolha da mulher, mais especificamente da mãe, de ficar em casa com seus filhos. Cito dois exemplos que li recentemente e RECOMENDO a leitura do artigo completo (é curtinho):

Esse quadro cor-de-rosa é perpetuado pela suposição cultural de que as mulheres que ficam em casa fazem isso porque elas não podem fazer nenhuma outra coisa, e que ficar em casa significa que você vive em uma bolha de brinquedos, pratos e lavanderia. As feministas se recusam a ver que ser dona-de-casa proporciona a uma mulher mais tempo na cozinha do que qualquer aficcionado por gastronomia pode ter, mais oportunidades de ler do que qualquer bibliotecária, mais chances de moldar o caráter das crianças que qualquer super babá, mais tempo para fazer o bem do que qualquer mulher engajada em obras sociais, mais tempo para decorar a sua casa do que qualquer decoradora ou arquiteta e mais tempo para ler estatísticas econômicas do que qualquer economista. Ficar em casa cria mais oportunidades para desenvolver os seus interesses, habilidades, capacidades e modos de servir do que qualquer outro trabalho lá fora. Ainda assim, as feministas empurram as mulheres em cubículos, dizendo-lhes que apenas dessa forma elas terão uma vida, se sentirão realizadas, e estarão em contato com o mundo exterior.

Nossa cultura está cada vez mais às avessas. Ela aplaude a Martha Stewart, que sacrificou seu casamento e sua moral para construir uma empresa que ganha milhões de dólares em cima de mulheres americanas que não têm tempo para pensar criativamente sobre suas próprias casas. Ao mesmo tempo ela zomba de pessoas como minha mãe, que recusou uma incrível oportunidade de estudos de graduação, a fim de ensinar seis crianças em casa por quase 30 anos.” (Rebecca Vandoodeward)

http://www.mulherespiedosas.com.br/as-mentiras-do-feminismo-por-rebecca-vandoodewaard/#more-752

O outro artigo que recomendo (não vou colar trecho porque senão vai ficar muito grande o post) está nesse link: http://www.mulherespiedosas.com.br/mulher-crista/#more-2628

Esses dias uma amiga minha cristã, que eu nunca imaginaria dizer isso, disse que nasceu na época errada porque seu sonho é ter filhos e ficar em casa cuidando deles, mas que ela não tem coragem de fazer isso, por se sente obrigada a ter uma carreira profissional. Eu fiquei um pouco espantada na hora, mas, eu mesma já me senti assim! Obrigada a querer ser algo/fazer algo que seja reconhecido. Esta pressão vem de dentro da igreja, vem da família, vem de todos os lados, inclusive de dentro de nós mesmas! O comentário de Chesterton lava um pouco a alma. Pois nos lembra que, de fato, este é o melhor caminho e é valioso, pois foi planejado por Deus para ser assim!

“Como é que ensinar a regra de três para as crianças dos outros pode ser uma grande e ampla profissão e ensinar suas próprias crianças a respeito do universo, uma profissão restrita? Como é que ser o mesmo para todos pode ser grandioso, e ser tudo para alguém, algo limitado? Não pode ser. A função de uma mulher é trabalhosa, mas porque tem uma amplitude colossal e não porque tenha um alcance diminuto”.

*****Gostaria de parafrasear a observação que Rebecca VanDoodewaard fez no artigo que compartilhei: Não tenho a intenção de comunicar, com esse post, que o trabalho fora de casa é necessariamente/automaticamente errado. O que eu intenciono tratar é o falso pressuposto cultural de que uma mãe/dona-de-casa não sabe de nada, não faz nada (ou que faz algo menos importante ou mais fácil), e não contribui em nada, quando é ao contrário, é uma alta vocação e realização de um chamado!

Anúncios

6 pensamentos sobre “O que há de errado com o mundo.

  1. Oi Bruninha estou adorando o blog de vcs! Adorei mais ainda este post “O que há de errado com o mundo”, concordo plenamente com suas palavras…. Ainda mais agora que estou em casa cuidando do meu maior tesouro… e posso dizer que não existe recompensa melhor do que acompanhar cada passo, cada evolução, cada sorriso desse serzinho que nos encanta a cada dia. Cheguei a conclusão que no fundo as pessoas até querem ter esse tempo para elas, mas tem medo, de abrir mão de carreira, estudos, status, para descobrirem a verdadeira essência da felicidade. Agradeço a Deus todos os dias, por ter um marido maravilhoso (Marcel) sempre ao meu lado e agora o nosso pequeno Theo que só nos enche nossos corações de alegrias. Tudo isso não tem preço! Beijocas!

    • Que delícia saber de tudo isso Elaine! Felicidades pra vocês e aproveita bastante esse menino lindo demias, porque passa muito rápido sabe? Beijinhos

    • Ai que bom saber de tudo isso Elaine e que bom que você decidiu assim, tenho certeza que o Theo, o Marcel e tu mesma serão gratos pra sempre por essa decisão. Eu sou muito grata ao tempo que a minha mãe dedicou a mim, no caso 14 anos! 🙂 Me fizeram muito bem! Desejo que vocês sejam mesmo muito felizes juntos e aproveitem bastante cada nova fase do Theo, porque passa muito rápido. Deus abençoe vocês! Beijinhos

  2. Meninas eu casei, e fiz questão de cuidar dos meus filhos, e não me arrependo nem um pouco disso. Entrei para a faculdade com 44 anos, pois tinha um sonho de me formar. Acho que todas as mães deveriam ficar em casa pelo menos até os seis, oito anos de seus filhos, digo mãe porque é imposição da sociedade, mas poderia ser o pai também. Hoje como professora de Ensino Fundamental sei bem o quanto o acompanhamento de um adulto até uma certa idade faz falta na vida de uma criança. As crianças estão perdidas, sem exemplo, sem amor. A sociedade capitalista matou a família.

  3. Eu queria gritar essas palavras. Queria colar cartazes nas ruas, nos pontos de ônibus. Queria publicar no boletim da igreja e no Diário Catarinense. As mulheres precisam se libertar! Eu fico triste por muitas vezes me pegar triste por ser dona de casa há 1 ano. As pessoas me param pra perguntar o que eu faço e eu fico tão constrangida, que há 1 ano estou dizendo que vou iniciar a faculdade de italiano. Não é que eu não queira fazê-la, mas eu não preciso estar cursando uma faculdade ou trabalhando como babá para ser alguém, para ter uma atividade. Isso é ridículo! Essa pressão para FAZER alguma coisa me irrita profundamente, como se eu nã estivesse fazendo nada nas 24 horas do meu dia. E quando eu penso em como vai ser mais uma grande luta explicar por que eu vou cuidar dos meus filhos em tempo integral, sem ter que dividi-los com o trabalho já até desanima. É triste ver (e nem falo de mulheres sem alguma crença, mas de mulheres cristãs) como as mulheres de hoje se esqueceram do que a Bíblia diz sobre elas, ou pararam de dar atenção ao que ela diz. Como a Rebecca eu não estou aqui censurando trabalhar fora, ter uma carreira e tudo mais, mas isso não é o principal objetivo e de uma mulher, ou não deveria ser. Por 1 ano eu experimentei o que é ter um espírito manso e tranquilo e esperar pelo meu marido com uma bela janta ou seu almoço favorito. Experimentei o que é ter tempo com Deus para poder auxiliar o meu marido e ajudar no progresso da nossa família. Por 1 ano eu pude escrever longos e-mails para quem eu amava, dar conselhos, ouvir desabafos. Pude ser voluntária em um lugar da prefeitura que promove o encontro de mães que querem ver outras mães, que querem trocar ideias. Quantas coisas podemos fazer quando temos tempo para isso. Sempre estudei e trabalhei. Eu achava que a vida era um rolo compressor! Sério. Vejo tudo MUITO diferente depois desse 1 ano como dona de casa. É claro que as pilhas de louça, de roupa, as sujeiras nos cantos e as gavetas bagunçadas nem sempre nos animam, mas com certeza se olharmos para Cristo e seu chamado para nós, veremos que é muito gratificante e os frutos eu colho agora com um primeiro ano de casamento bem fundamentado, um blog para dividir minhas ideias, uma vida mais próxima de Deus, amigos distantes mais íntimos, paz, tranquilidade que dinheiro nenhum no mundo podem comprar. Vou começar a faculdade daqui 2 meses, mas hoje a minha prioridade não é mais a minha carreira ou os meus estudos, mas a minha família. E essa lição eu aprendi sendo dona de casa. #desabafo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s