Mundo Afora/Morar fora

Bastou sair só uma vez do país pra eu desejar morar fora pelo menos por 1 ano! E tem gente que nem disso precisa, já sonha desde cedo em fazer um intercâmbio e viver num outro país (praticamente um outro mundo!).

Muita gente me pergunta como é morar em outro país, ficar longe da família e dos amigos, ter que se adaptar a outras comidas, outra língua, outro clima, outra cultura… Eu não pretendo esgotar o assunto e depois só posso falar da minha experiência, várias leitoras e leitores poderão complementar com suas experiências, mas divido aqui o meu ponto de vista com vocês.

Saímos do Brasil para a Itália nas seguintes circunstâncias: meu marido Pedro veio pra fazer doutorado e eu, como esposa, vim para acompanhá-lo (nos casamos dia 30 de junho e em 23 de julho de 2012 já estávamos aqui). 2 anos antes ele morou na Alemanha por 6 meses, eu até pensei em ir pra ser au pair ou alguma coisa assim, mas não deu. Então já viemos morar aqui casados. Fiz algumas aulas de italiano antes de vir, mas sabia dizer apenas “Bom dia” e “Sou brasileira, não falo italiano”. Entender era mais fácil pela proximidade com o português, mas uma coisa é turismo outra coisa é alugar um apartamento, fazer contratos de água, luz e mesmo entender como é a forma que eles tem de calcular e cobrar água, luz e etc.

#Morar Longe da Família (e Amigos)

Para mim essa sempre foi (e continua sendo) o ponto negativo mais importante (praticamente único) de morar fora. Não importa se são 3 meses ou 10 anos, estar longe é estar longe. Graças ao facebook você fica sabendo (e vendo) que seus melhores amigos estão abraçados num churrasco qualquer e você está sozinho em casa com a TV ligada pra amenizar a solidão. Todos estão bem lindos na mesa de natal, família reunida para foto de fim de ano e você comendo comida congelada por falta de ânimo, afinal quem vai cozinhar um peru de natal pra 2 pessoas? Como se não bastasse ainda existe o Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários, nascimentos, casamentos e uma infinidade de momentos únicos que você vai estar perdendo. Isso é fato. No nosso caso ainda somos em 2 e temos Jesus nas nossas vidas. Nesse caso, somos muitas vezes consolados por Ele e abençoados com amigos mais chegados que irmãos. Podemos ter o nosso coração satisfeito em Deus e saber que a Sua graça nos basta. É assim que superamos a ausência das nossas famílias e amigos. Claro, temos o Skype, e-mails, whatsapp, facebook, instagram, telefone, Facetime e dezenas de formas de nos comunicarmos com quem amamos. Mas nunca é a mesma coisa. Ameniza muito, mas esteja preparado para crises de choro e momentos de profunda solidão. O ponto positivo é que você está socialmente isolado, dessa forma pode pensar e repensar a sua vida e criar seus próprios padrões (sem modismo e coisa assim). A gente descobre muito quem a gente é de verdade quando está longe dos nossos maiores influenciadores, sejam eles nossos pais, sogros, amigos, parentes, pastores e etc.

# Língua

Para minha vergonha ainda não aprendi inglês. Vim para a Itália com o meu bom e velho português e mais nada. A língua é um choque e já começa no aeroporto de Guarulhos! ahahahahaha As placas, as embalagens de produtos, os programas na TV, os catálogos de ofertas do supermercado, as conversas das pessoas nas ruas, tudo muda. Por um lado é muito bom poder conversar em português com o Pedro sem importar o tom sobre qualquer assunto, mesmo que seja a pessoa do lado, sem que ninguém saiba sobre o que eu estou falando (e no caso do português, sem que a pessoa saiba de qual país eu venho). Isso é um grande barato! Mas é uma adaptação. Quando cheguei aqui fui direto fazer a matrícula pro curso de italiano. Fiz quase 1 ano de um curso e me ajudou muito. Mas nada me ajudou mais do que ter que me virar nesse país! Do que QUERER falar com a pessoa sabe? Isso é um grande incentivo. Em novembro encontramos uma igreja batista (uma raridade nesse país) e aí então a coisa se desenvolveu. A gente tem tanto de Deus pra falar que precisa encontrar as palavras de qualquer jeito! Entramos num grupo de discipulado e frequentamos os cultos, além de termos nossas Bíblias em italiano. Eu sempre tive o desejo de aprender outra língua e posso me dar por satisfeita de poder estar tão imersa nessa outra língua, que privilégio! Hoje sou nível Intermediário em italiano e apesar de saber que tenho MUITO a aprender, já me sinto muito feliz por tudo o que aprendi até agora, a ponto de poder trabalhar, ir a igreja, ver filmes em italiano e até ser guia turística dos meus sogros! ahahahaahaha

# Comida

Pasta, pizza, gelato, frutas vermelhas, Nutella, Lindt e uma infinidade de delícias. Ao mesmo tempo a falta dos alimentos mais simples do nosso país: arroz, feijão, goiaba, pinhão, paçoca, pão de queijo, tainha, camarão, coxinha, pão com farofa (pão doce), guaraná, açaí e mais uma infinidade de delícias que também têm no nosso país e aqui eles nem fazem ideia do que seja. Tudo tem dois lados! Nos primeiros meses engordar é inevitável. A gente vai ao supermercado e vê várias coisas boas, quer experimentar todas! Quer repetir e repetir até enjoar do sabor (no caso da Nutella ainda não deu pra enjoar!). Sem contar que a gente é acostumado com um tipo de dieta e aqui a dieta é outra: uma riqueza de carboidratos que mamma mia! Então bruscamente nos desprendemos da carne vermelha (que aqui é pouco saborosa), e nos rendemos a muito macarrão Barilla de todos os tipos e a pizzas individuais. Preciso exercitar a arte de ir a restaurantes e pedir pratos italianos e com ingredientes italianos, porque se deixar a saudade de carne e camarão me fazem escolher pratos não tão saborosos e nada típicos. Estamos a quilômetros do mar e é óbvio que o camarão vai ter gosto de esponja! Isso é um exercício que precisamos estar dispostos a fazer: experimentar e apreciar a comida local. Se não a vida vira uma eterna insatisfação alimentar. E cá entre nós, tem muita coisa boa para se comer por aí! 😉

#Cultura

O choque é inevitável. Cada país tem sua cultura, sem contar com a variação de cultura de região para região dentro de um mesmo país. Ninguém aqui (na região de Trento) sabe o que o Gustavo Lima está cantando e qual é o público dele, as nossas piadas, nossas risadas, nossos programas de TV, nossos gestos, tudo muda. O que é falta de educação para um brasileiro nem sempre o é para um italiano e vice-versa. Para eles dormir na casa de um amigo é um escândalo, uma coisa muito estranha, para nós não convidar para um almoço ou janta em casa é algo muito diferente. E eles são assim e a gente precisa saber viver nesse contexto, se adequar a esse novo jeito de viver e quem sabe com o nosso jeitinho brasileiro levar um pouco de jogo de cintura pra vida deles! 😉 Contato físico entre casais também é uma coisa pouco comum de se ver: mãos dadas, abraços na fila do caixa, são imagens muito raras. Assistindo esse fim de semana “O Poderoso Chefão” chegamos a conclusão de que o esteriótipo italiano não é esse da região de Trento, e sim do sul da Itália. Ao contrário do sul, por aqui ninguém fala super alto e está sempre alegre, extrovertido. Aqui nos alpes italianos o povo é mais fechado, mais sisudo, fala mais baixo, é mais reservado.

#Transporte

Aqui é possível viver sem carro! Os ônibus funcionam muito bem, com horários em cada ponto, os trens não são caros e vão desde à cidades vizinhas até outros países e apesar de não ter aeroporto na nossa cidade, fica fácil ir até um deles. Também tem transporte aquático no Lago di Garda, que é o principal lago da região. E uma curiosidade é a forma de cobrar: nos ônibus não tem cobrador, existe uma maquininha que a gente valida o ticket ou passa o cartão (como cartão de estudante, cidadão e etc).  No trem a mesma coisa. E às vezes passa alguém pra verificar se você tem o ticket ou não.

#Curiosidades

Aqui na Itália eles tem um outro jeito de comer queijos e presuntos: é como açougue, a gente vai, pede o que quer e a quantidade e eles fatiam na hora. Sério é delicioso demais! Sem contar com a variedade de frios que eles tem.

Aqui na Itália eles tem um outro jeito de comer queijos e presuntos: é como açougue, a gente vai, pede o que quer e a quantidade e eles fatiam na hora. Sério é delicioso demais! Sem contar com a variedade de frios que eles tem.

No cinema existem 2 minutos de intervalo. --'

No cinema existem 2 minutos de intervalo. –‘

Aqui nas férias de verão ao invés de ter mais filmes, alguns cinemas fecham. Sem contar com a biblioteca e tantas lojas. Eles tem uma maneira diferente de se relacionar com o comércio (tipo NADA abrir no domingo).

Aqui nas férias de verão ao invés de ter mais filmes, alguns cinemas fecham. Sem contar com a biblioteca e tantas lojas. Eles tem uma maneira diferente de se relacionar com o comércio (tipo NADA abrir no domingo).

Aqui na Itália tem "fontanas"espalhadas por toda a cidade com água fresquinha e gostosa a qualquer hora do dia, herança do Império Romano.

Aqui na Itália tem “fontanas”espalhadas por toda a cidade com água fresquinha e gostosa a qualquer hora do dia, herança do Império Romano.

Claro que eu poderia ficar aqui por horas e horas contando e mostrando, mas era isso que tinha pra falar de mais importante. Após o sinal deixe seus comentários e perguntas: Biiiiiiiiiiiiiiip!

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Um pensamento sobre “Mundo Afora/Morar fora

  1. Nossa, que legal Brunaaa!! Seus relatos sobre Trento mudaram minha forma de olhar a Itália, sabiaaa? Hoje mooorro de vontade de conhecer o norte da Itália! hahahaha
    Imagino que morar fora é acomodar a saudade numa parte do coração e conviver com ela… mas, fico feliz pq vcs estão sabendo aproveitar do tempo que Deus está dando pra vcs aí! =DD

    Adorei o post, realista e esperançoso!! ^^

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