“Não te contaram que os banheiros não são autolimpantes”

Mais um post da série “Coisas que não te Contaram(ão) antes Casamento”. Dessa vez, o assunto é “os banheiros não são autolimpantes” e ninguém se lembra disso!

Bruna – Na minha casa meus pais possuíam tarefas específicas para manter a casa limpa: minha mãe lavava a louça, meu pai levava o lixo, minha mãe limpava o banheiro, meu pai limpava a calçada, minha mãe cozinhava, meu pai fazia compras e assim por diante. Desde os 11 anos já me interessava pelas coisas da casa e arrumar meu guarda-roupa, por exemplo, não era uma obrigação, mas um privilégio. Minha mãe sempre dizia como ela organizava o guarda-roupa dela e como isso era bom e eu queria seguir o seu exemplo. Por isso, quando casei já estava bem ciente das tarefas domésticas. Lavar, cozinhar, organizar, fazer listas, fazer compras já faziam parte de algum modo da minha vida de solteira. Meu marido, apesar de não demonstrar interesse pelas coisas da casa com 11 anos, morou fora de casa durante a faculdade. Fez intercâmbio, fez estágios em cidades diferentes e a vida mostrou pra ele que é necessário limpar o banheiro de vez em quando, que a louça na pia se multiplica e que o lixo fica fedido se não for levado para fora. Graças a Deus, precisamos apenas de uns pequenos ajustes quando nos casamos, não sendo esse o nosso maior problema. Mas não é assim pra todo mundo…

Esther – No nosso caso, as coisas foram um pouco diferentes. Alguns de vocês já leram o post em que eu conto que sou uma autêntica bagunceira (se não leram, aqui está: http://comamornolar.com/2013/05/06/organizacao-nossa-de-cada-dia/). Eu não percebo que a minha bolsa tá no lugar errado, que coloquei tudo em cima do sofá e que despejei algumas roupas na cama, é um exercício enooorme ficar atenta a essas coisas – mas, tenho conseguido, pela graça de Deus!  Já o Jhonattan é super detalhista, do tipo que pára tudo pra arrumar os chinelos se não estiverem alinhados. Nós já sabíamos disso antes do casamento. Ele limpa, lava, arruma como ninguém! Eu sei fazer tudo isso, mas sempre fica um pouco (no caso de arrumar, muito) aquém dele! Então, antes mesmo do casamento combinamos que ele arrumaria e eu manteria. Mas, ainda assim, em algumas tarefas, estamos juntos com os casais que esqueceram que os banheiros não são autolimpantes – de fato, lembramos que alguém tinha que limpar o banheiro umas duas semanas depois!!! Quando voltamos da lua-de-mel, logo entramos num rotina louca de trabalho, saíamos às 7h e voltávamos às 20h, eu corria pra cozinha fazer o jantar e o Jhonattan ia organizando a casa. Era muito tranquilo pra mim, pois sempre gostei de cozinhar e nunca tive grande afeto pela arrumação! Hoje, eu trabalho bem menos e fico em casa a maior parte do tempo, logicamente, cabe a mim a parte de limpar (que me dou bem também) e tentaar arrumar (ou de, pelo menos, não bagunçar, diria o Jhonattan).


Quem vai limpar o banheiro?


“O apartamento era pequeno, porém limpo e agradável. Cerca de três semanas depois, percebi que o vaso sanitário tinha manchas escuras. Mencionei isso a Karolyn, e ela disse:

–Eu sei. Estava me perguntando quando você iria limpá-lo.

–Limpá-lo?! – espantei-me. – Pensei que você limparia. Não sei limpar um vaso sanitário.”

Muitos casais não pensam sobre o tema antes do casamento e acabam se frustrando depois que as manchas e sujeiras começam a aparecer, assim como no diálogo entre Gary e sua esposa Karolyn. E agora? Depois que vocês se casarem, quem vai limpar o banheiro? Parece uma coisa tão simples, mas é fundamental para o dia a dia do casal e da família. Segundo Gary Chapman, no aconselhamento pré-nupcial a maioria dos homens acha que a esposa vai limpar o banheiro, enquanto a maioria das mulheres acha que será o marido.

A pergunta é: quem faz o que? Antigamente os “papéis conjugais” eram muito bem definidos: o homem trabalha fora e a mulher cuida da casa e dos filhos. Mas isso não cabe mais nos dias de hoje (não que não deva ser assim, mas uma definição assim tão clara não tem mais espaço na nossa sociedade). Atualmente os homens e as mulheres trabalham fora, fazem faculdade, mestrado, doutorado e etc. Os papéis aparentemente se confundem e a família moderna vive toda essa confusão que vocês estão vendo! Precisamos sentar, conversar e decidir quem vai limpar o banheiro.

Somos diferentes! Que bom!

Primeiramente precisamos entender em qual contexto nosso cônjuge foi criado e quais modelos ele/ela teve na sua casa. E precisamos diminuir as expectativas transformando-as em coisas reais. Nada melhor do que dizer ao seu noivo, ou seu marido, o que você espera que ele faça para ajudar nas tarefas da casa (que são muitas!). E deixar que ele diga também as suas expectativas quanto ao que você deve fazer. E devemos ser compreensivos. Somos, em geral, essencialmente diferentes, você não pode tentar moldar seu cônjuge de acordo com suas expectativas!  Ouvir com atenção e estar aberto a dividir tarefas e fazer coisas que você não pensava em fazer devem ser os objetivos dessa conversa.

Em segundo lugar, é necessário entender que a percepção do que cabe a mulher e do que cabe ao homem fazer também vem da concepção de cada um sobre masculino e feminino.

Nós acreditamos sim que homens e mulheres são iguais em valor, ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, mas não são iguais em função e papéis nem a pau!! Eu sei que o feminismo vem pregando isso há muitos anos e muitas das suas conquistas foram válidas, mas não caia no engodo de que uma mulher só é livre e independente quando trabalhar 8 horas por dia numa empresa e ganhar igual ao seu marido, ou mais. Também não pense que ser boa dona de casa signifique se restringir às tarefas domésticas diárias e ponto final. Talvez trabalhar meio período ou fazer uma faculdade te ajude de algum modo a ser uma dona de casa melhor. E a Bíblia é muito clara nesse ponto: “Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.” Tito 2:4-5 Precisamos, se queremos obedecer e glorificar à Deus, ser boas donas de casa. Mas a mulher virtuosa de Provérbios também fazia negócios (Provérbios 31:16 e 24), trabalhar fora não significa, necessariamente, não ser boa dona de casa. Mas, se atentarmos com seriedade também para Provérbio 31, vemos que além de negócios a mulher virtuosa também levanta de madrugada para cozinhar para sua família, cultiva sua comida, faz cobertas para a família, faz seu marido conhecido entre os anciões, cuida da sua casa!

“Eu nunca argumentaria que uma mulher não pode trabalhar, eu tenho defendido que de uma mulher é requerido que ela seja uma “dona de casa” (Tito 2:5; cf. 1 Timóteo 5:14), e que, como tal, ela deve priorizar o seu lar e qualquer “trabalho” que ela faz não deve interferir no seu chamado primário de esposa e mãe. Assim, a mulher do fazendeiro que ajuda na colheita, a mulher do padeiro que trabalha ao seu lado, ou a mulher do contador que trabalha como sua recepcionista nos negócios da família, estão todas em uma categoria diferente da tão chamada “mulher de carreira” (o termo não é meu) que gasta sua vida como uma “ajudadora idônea” (Gênesis 2:18) para outro homem (ou para uma corporação), em vez de para o seu marido. […] A mulher de Provérbios 31 certamente era empreendedora. Ela também trazia renda para o lar e o fazia mais produtivo. No entanto, não há nada nesta passagem que sequer sugira uma carreira. Ela não batia ponto. Ela não tinha uma babá. ” (Voddie Baucham) Recomendo muito este artigo http://www.monergismo.com/voddiemonergismo-net-br/a-mulher-de-proverbios-31-uma-mulher-de-carreira/ .

Toda a movimentação, mesmo os negócios, da mulher de provérbios é em favor de seu lar! Ela nunca abre mão do lar e dos filhos em prol de uma carreira, de mais dinheiro, etc. Precisamos abrir as nossas mentes e pensar segundo o que a Bíblia nos diz, e não segundo a nossa cultura ou a nossa igreja.

Muitas vezes por algum motivo é uma vergonha para o marido ter que lavar a roupa e se ele se sente constrangido ao fazer isso, essa atividade se tornará um estresse emocional na relação. O mesmo vale para uma mulher que acha que a mulher não deve ser a única a cozinhar, ou levar o lixo. Ou eles mudam de opinião e passam a desenvolver suas tarefas com alegria ou o outro terá que ceder e tomar para si aquela tarefa. A concepção de cada um sobre masculino e feminino influencia muito as expectativas dos papéis conjugais, por isso precisamos levar isso a sério e discutir sobre o que cada um vai fazer depois do casamento (ou se já estão casados, nunca é tarde demais para discutir as tarefas de cada um).

Em terceiro lugar, um bom modo de começar a discussão é cada um dizer no que é bom e tomar essa tarefa para si. Se o homem é muito bom passando pano na casa, ele poderá ficar com essa tarefa, se a mulher cozinha melhor, poderá se voluntariar para isso e assim por diante, assim cada um pode fazer aquilo que gosta e trabalhar naquilo que tem talento. Gary Chapman ilustra da seguinte forma: “Podemos não ter o mesmo conjunto de habilidades, mas é importante reconhecer as diferentes habilidades e procurar usá-las em benefício da relação. Em um time de futebol, os onze jogadores têm o mesmo objetivo, mas nem todos desempenham o mesmo papel.”

Um Exercício Prático

Aqui em casa (Bruna) adotamos a reunião mensal ou bimestral para discutir essas tarefas e outras coisas. Sentamos e tomamos nota do que cada um poderia fazer para melhorar. Se você escolhe uma tarefa hoje, não quer dizer que terá que desempenhá-la para sempre não sendo possível mudar. O Pedro tinha assumido levar o lixo, mas vimos que ele não teve muito sucesso na prática, então trocamos de atividades, eu fiquei com o lixo e ele com outra tarefa. Gente, ninguém é quadrado! Precisamos caminhar lado a lado para o benefício do nosso lar! Gary Chapman propõe também uma lista de tarefas: cada um faz uma lista de tudo aquilo que acham que é necessário fazer para manter a casa (para os casados, de tudo o que vocês já fazem), desde limpeza até orçamentos e idas ao Banco. Depois reúna as duas listas e façam uma maior que inclua tudo. Cada um pode colocar uma inicial ao lado da tarefa indicando quem ele acha que irá desempenhá-la, se achar que é uma tarefa compartilhada pode colocar as iniciais dos dois. Aqueles em que houver discordância deverão ser negociados, enquanto os outros ficaram resolvidos. Vale lembrar que os contextos vão mudando. Por exemplo, se os dois trabalham fora é provável que dividam mais tarefas. Quando a mulher fica mais tempo em casa, é justo que ela se responsabilize por grande parte das tarefas. Ou quando a mulher engravida e vem os filhos, ela precisará de um apoio muito maior do marido, ele precisará, principalmente nos primeiros meses, encabeçar novas tarefas que talvez não lhe eram comuns!

É preciso conversar! Eu, Esther, recomendo essa reunião mensal da Bruna! Para as coisas fluirem, é necessário conversar sempre! Eu e o Jhonattan sempre conversamos sobre tudo desde o começo, mas às vezes deixávamos passar meses sem “apararmos as arestas”, agora adotamos o modelo “reunião mensal” da Bruna, hahaha… Tem sido ótimo e eu recomendo!

“Completar esse exercício e chegar a um acordo sobre quem faz o que vai evitar muitos conflitos e tornar o fluxo da vida muito mais harmonioso para ambos.”

 

Bruna e Esther

louça

Gary Chapman. O que não me contaram sobre casamento: (mas que você precisa saber). São Paulo. Mundo Cristão, 2011.

Voddie Baucham. A mulher de provérbios 31: uma mulher de carreira? http://www.monergismo.com/voddiemonergismo-net-br/a-mulher-de-proverbios-31-uma-mulher-de-carreira/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s