Não te contaram que organizar as finanças dá um trabalhão!

Hoje, depois de umas férias, voltamos com a série “O que não te contaram(ão) antes do casamento”. O tema que escolhemos para falar é “Finanças”. Este tema, na verdade, é sim bem comentado antes do casamento (os problemas, não tanto), mas diversas vezes é levado pra extremos perigosos: “o amor não sustenta ninguém” ou “vivo com você até embaixo da ponte”. Os dois estão certos e os dois estão errados! Nós, cristãos, devemos prezar e buscar o equilíbrio, sempre! E frases como as citadas anteriormente nos dão uma ideia bastante desequilibrada sobre a importância e a dificuldade de dimensionar o quanto essa questão será importante em sua vida. Como sempre, não esgotamos o assunto aqui, apenas queremos expor o que temos aprendido e vivido. Claro que nossa perspectiva é do lado feminino que é diferente da perspectiva masculina. Mas nosso objetivo é mostrar porquê isso pode ser um problema e como lidar com  esse aspecto.

Um Deus que supre!

Acho que antes de tudo, é importante lembrar que é o Senhor quem nos supre e nos sustenta. Isso é fato.

“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6:25-33

Não importa se seu marido trabalha ou se está desempregado buscando um emprego: o Senhor é quem está sustentando sua família. Dele vem todas as coisas!
Geralmente, nosso problema maior é com qual nível de vida queremos. Conforto, lazer, muita comida, diversidade de roupas, maquiagens, etc. são trivialidades, presentes também dados pelo Senhor, mas que devem ser vistos assim. Devemos ter muita moderação na forma como vemos tais coisas! Hoje o mundo grita que PRECISAMOS de entretenimento (nossa geração é viciada em entretenimento), PRECISAMOS de muitas roupas, tantas que às vezes nem temos mais espaço no guarda-roupas, PRECISAMOS de comidas diferentes de todos os países possíveis: NÃO, NÓS NÃO PRECISAMOS!  Nós gostamos, nós aproveitamos (com moderação) enquanto o Senhor tem nos possibilitado essas coisas, mas estas coisas não são vitais. Naquilo que é vital, o Senhor nos sustentará sempre.
Tem um irmão da igreja que diz que nós comemos muito melhor que muitos reis em épocas passadas! Então, acho importante primeiro revermos quais são nossos padrões de necessidade.

Problemas

Os problemas mais comuns que vivemos e ouvimos é: “meu dinheiro, seu dinheiro”; padrões de vida pré-casamento muito diferentes e dificuldade de mudar o padrão de vida; falta de organização e falta de uma visão clara sobre a doutrina da mordomia!


“Meu dinheiro, seu dinheiro”

Sem dúvidas, entre tudo o que lemos e pesquisamos (e vivemos) este é um dos maiores problemas de um casal! Depois que você casa é importantíssimo que esta divisão não exista. É, estou sendo direta. Isso é fora de qualquer padrão cristão. Sabe aquela coisa de “ah, eu já paguei o aluguel, agora você que pague o carro” – oi?! “Comprei um sapato, é meu dinheiro mesmo!”, enfim, acho que vocês já entenderam. Depois que casamos, tornamos um só. O dinheiro é de Deus, dado à família. Não importa como veio, por quem veio. O dinheiro não é seu, nem meu, é nosso e se você não está pronto para esse tipo de unidade , então não está pronto para o casamento. Se o dinheiro é visto como da família, não vão haver problemas como por exemplo, sentir-se ofendida em pedir permissão/dinheiro para alguma coisa, ou de algum dos dois estarem contribuindo menos no montante final.

Por exemplo, ainda que a esposa seja dona de casa e não esteja literalmente trazendo dinheiro para casa, é importante ter bem claro que de algum modo ela está contribuindo para que o dinheiro seja ganho. Outro dia numa discussão sobre ser dona de casa, conversava (Bruna) com três moças (que não eram cristãs). Uma delas me perguntou: “Mas você não se preocupa em contribuir no bolo (do dinheiro mensal)?”, nem precisei responder, uma outra menina respondeu: “Mas ela está contribuindo. Veja a mãe do Fulano, se ela não estivesse em casa, cuidando dos filhos e das coisas, o seu marido não poderia trabalhar com tranquilidade, já que ele é representante comercial e passa às vezes uma semana fora de casa.” Essa moça entendeu que o dinheiro pertence a toda família, estando todos eles ganhando-o diretamente ou não.

Acho que esse é mesmo o maior desafio do casamento, saber que somos uma unidade, um só. Se não serão apenas duas pessoas que moram na mesma casa, dois companheiros de quarto. É importante nos colocarmos em jogo e chegarmos a um acordo sobre como usar o dinheiro que Deus tem nos dado. Não é fácil né? Cada um tem sua própria visão sobre dinheiro, cada um tem as suas prioridades e seu jeito de usufruir daquilo que recebeu. Mas é aí mesmo que entra a humildade, a comunicação, é aqui que vamos formar um só pensamento sobre dinheiro, vamos direcionar como família os gastos. O “nosso” dinheiro traz unidade à família e a ajuda a progredir, sem cabos de guerra, sem compras escondidas, sem dívidas desnecessárias. Além de nos dar a oportunidade de conhecer e nos preocuparmos com a necessidade do outro. Compreender que de repente para o outro é importante ter sempre carne em casa ou é importante gastar com vídeo games e acessórios eletrônicos. Enquanto para o outro comprar objetos de decoração para casa e livros valem mais a pena. Em algum momento a gente passa a achar importante a necessidade do outro, ou mesmo compreendê-la, é um exercício.  A gente aprende a ceder e também a deixar pra trás as superficialidades, de repente percebemos que aquilo que estamos reivindicando com tanto empenho não é assim tão importante.


Padrões de vida pré-casamento (muito) diferentes

Assim como nos outros aspectos que já postamos aqui (sexo e manutenção da casa) existe um fator muito corriqueiro que motiva muitos estranhamentos no começo do casamento: criação/vida que se teve antes do casamento. Como temos falado nos outros posts, entender de onde vem seu cônjuge é importantíssimo! Saber sua condição financeira anterior também! Afinal, nossa percepção de como lidar com o dinheiro vem de nossa família! Por exemplo, a sua noção do que é caro pode ser muito diferente da noção do seu marido. Ou então, algo pra você tem um ótimo custo-benefício e pro seu marido nem vale a pena. Isso é muito comum! Além de perceber o outro, é importante se desligar do que veio antes nesse sentido, entender que agora vocês serão uma nova família com novas condições de vida (menor ou maior) e criarem, como casal, seus costumes financeiros! Aproveite esse momento para largar vícios e gastos demasiados! Crie os hábitos de vocês! E estejam preparados para (possivelmente) ter de mudar seu padrão de vida.

Talvez você venha de uma família que tinha melhores condições financeiras, então você comia muito bem, tinha o seu próprio carro, de tempos em tempos comprava as roupas que gostava e de algum modo não estava assim tão preocupado com a conta do supermercado ou do restaurante. Saiba que talvez isso possa mudar após o casamento e se prepare para isso. Talvez quando você se casar você vai comer de um modo mais simples, vai precisar vender o carro para dar entrada no apartamento, vai ter de ficar algum tempo sem comprar roupas ou vai comprar menos roupas pra sobrar mais dinheiro para pagar as contas de casa, e vai passar a se preocupar mais com as contas de supermercado e restaurante. Ao mesmo tempo, talvez tenha outra pessoa que tinha antes um padrão de vida mais baixo e vai se casar e ter um pouco mais de conforto do que tinha antes. Talvez a segunda pessoa sofra menos que a primeira, mas ambas devem estar preparadas para si e também para ajudar o seu cônjuge nessa mudança.

Sem contar que antes o dinheiro que você ganhava (se você trabalhava) era só seu e você era quem decidiria se gastaria tudo numa tarde no shopping ou não. Se pagaria R$500,00 num sapato ou não. Agora isso já não depende mais só de você. Não adianta nada eu achar que é justo pagar x para cortar o cabelo se o meu marido não concorda. Ou se entra num acordo, ou nunca será o “nosso” dinheiro. Por mais que o acordo seja: “Eu não entendo por que gastar tanto dinheiro no cabeleireiro, mas mesmo assim te permito gastar dessa forma.” Ou “Eu não entendo qual a graça em pagar uma mensalidade para um clube de futebol, mas se isso cabe no nosso orçamento, não vejo porque te privar disso.” Nem sempre vamos compreender 100% os nossos cônjuges, mas ainda assim precisamos estar de acordo ou não com a forma com que o dinheiro da nossa família está sendo gasto.

Falta de organização e “Quem deve organizar as finanças?”

A promessa de Deus de nos sustentar não nos permite, em nenhum momento, que sejamos imprudentes ou insensatos! Como é fácil ser irresponsável com o dinheiro! Se ganhamos R$1000,00 ou R$10.000,00, se não formos prudentes e responsáveis daremos um jeito de fazer este dinheiro voar de nossas mãos! É preciso saber quanto entra, quanto sai, como entra e como sai! Tem um parábola, ela no contexto serve para figurar uma situação de conhecer o custo de ser um cristão e seguir a Cristo, mas é muito boa como exemplo de precaução e planejamento no aspecto das finanças!
“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.” (Lucas 14:28-30)

Aqui em casa (Esther) nós temos um programa chamado Organizze, é pago, mas o Jhonattan pôde testar um tempo gratuitamente, viu que valia a pena e comprou! Lá o Jhonattan anota tudo que gastamos e recebemos. Aqui em casa é ele quem cuida das contas, ele quem guarda comprovantes, recibos, contas, receitas médicas, etiqueta de roupa, boletim do prézinho, tudo! Hahaha, por esse motivo, ele é a pessoa adequada pra organizar e gerir as contas aqui de casa! Mas, mesmo sendo a função do homem de sustentar a casa, eu acho que muitas vezes a mulher tem mais jeito para administrar as finanças! Geralmente, a mulher é mais organizada e se encaixa melhor nessa função, às vezes, o homem prefere gerir o orçamente, cabe ao casal detectar quem se encaixa melhor na tarefa!

O que não pode passar despercebido é a importância do dinheiro ser gerido e organizado. Muitas vezes a gente se preocupa em organizar nossa casa, nossos guarda-roupas, nossas emoções, nosso tempo e nos esquecemos que o dinheiro também precisa ser organizado. Fazer planilhas, guardar as contas pagas, fazer orçamentos e planejar são fundamentais. Nós (Bruna e Pedro) não temos esse programa como a Esther, mas fazemos planilhas no Excel mesmo para saber quanto gastamos em média de água, luz e gás, por exemplo. Apesar de não ser detalhado sabemos onde gastamos nosso dinheiro e até quanto podemos gastar, e isso é muito importante. Quando vamos ao supermercado sabemos quanto em média podemos gastar em 1 semana, e se saímos daquele valor reavaliamos o que compramos. Muitas vezes perguntas como: “Isso é mesmo necessário?” podem fazer uma diferença enorme no seu orçamento!

Somos mordomos de Deus

Se começamos dizendo que Deus supre nossas necessidades, terminamos falando que Dele vem todas as coisas e para Ele são todas as coisas. A doutrina da mordomia é de que tudo que temos aqui nessa terra nossos bens, nosso dinheiro, carro, casa, família, cuidado da esposa, nossa própria vida, tudo nos é entregue pelo Senhor. E ele nos dá o privilégio e a enorme responsabilidade de administrar, desenvolver e cuidar destas coisas. Devemos ter imenso temor e pesar isto em nosso coração. Se poupamos, é o dinheiro de Deus que poupamos; se gastamos, é o dinheiro que Deus nos deu que gastamos! Um exemplo bem prático disso: digamos que vocês estejam guardando dinheiro para quitar o apartamento de vocês e vocês têm uma boa quantia guardada. De repente, alguém conhecido perde tudo em alguma tragédia ou precisa fazer uma cirurgia de urgência que o plano não cobre, está aí uma grande oportunidade de servir os outros com o dinheiro que Deus colocou em sua mão.
“Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.” (Gálatas 6:10)

“Devemos usar de tal modo os bens que temos, que o uso e posse deles devem tender à glória de Deus e à salvação de nossas almas… Nossas riquezas devem ser empregadas em usos necessários. Vem primeiro a manutenção de nosso bom estado e condição. Em segundo lugar, o bem dos outros, especialmente daqueles que são de nossa família e parentesco… Em terceiro, a assistência aos pobres… Em quarto, a manutenção da igreja de Deus e da verdadeira religião… Em quinto lugar, a manutenção da comunidade. “(Willian Perkins)

“O principal fim de nossas vidas… é servir a Deus no serviço aos homens nos afazeres de nossos chamados… Alguns homens talvez dirão: O quê, não devemos labutar nos nossos chamados para manter nossas famílias? Respondo: Isto deve ser feito, mas este não é o escopo e a finalidade de nossas vidas. A verdadeira finalidade de nossas vidas é prestar serviço a Deus no serviço aos homens.” (Willian Perkins)

É isso!
Beijos,
Esther e Bruna!

**BÔNUS

Tem um artigo que eu gosto muito que se chama “Provendo a uma grande família” de um irmão que tem 10 filhos. Ele dá algumas dicas práticas de como fazer render o dinheiro que Deus nos disponibiliza!
http://www.monergismo.com/william-einwechter/provendo-a-uma-familia-grande/

“Pais Prudentes

1. Aprendemos a estabelecer as prioridades familiares. Recursos financeiros são direcionados primeiro para o que é essencial, extras e não-essenciais vêm em segundo. Deus sempre provê para as nossas necessidades genuínas.

2. Nós aprendemos a melhor entender nossos papéis. O papel do marido é prover para sua família. Ele deve ter o compromisso de trabalhar duro e usar o melhor de sua habilidade naquilo que realiza. O papel da mulher é ser uma gerenciadora dos recursos que seu marido provê. Ela precisa aprender a arte de esticar cada real o quanto possível. Um homem diligente e uma esposa frugal e engenhosa são um time eficaz em prover para uma família.

3. Aprendemos a viver despretensiosamente e contentes. Um estilo de vida modesto, livre do fardo do desejo de se viver além das posses, é essencial. Se estamos descontentes, estamos sob o controle do pecado de “ganância, que é idolatria” (Cl 3.5). Ter uma família grande impõe alguns limites quanto ao que é possível, e estes limites precisam ser alegremente aceitos como parte do nosso chamado para sermos frutíferos e criarmos filhos para o Senhor.

4. Aprendemos a agir prudentemente para estendermos nossos recursos. Nisso há algumas coisas que descobrimos a importância. Primeiro, quando possível, faça você mesmo o trabalho. Pagar pelo trabalho que você mesmo poderia fazer é drenar as finanças. Cozinhe partindo do zero, eduque seus filhos em casa, e faça você próprio os consertos. Segundo, sempre busque o menor preço. Isso significa comprar com desconto em lojas de artigos de segunda mão. É impressionante o quanto se pode economizar. Terceiro, esteja disposto a aceitar roupas dadas por outros. Quando se tem um família grande, pessoas generosas gostam de repassar aos seus filhos as roupas que ficaram pequenas nos filhos deles. Gratamente receba esses presentes, e você pode se ver dificilmente comprando uma roupa. Quarto, aprenda a arte do custo-benefício da saúde e da cura. Custos médicos podem ser uma despesa muito grande. Muitos desses custos podem ser evitados se aprendermos prevenção e cura por meio de uma dieta saudável e remédios que não precisam de receita médica. Quinto, não se endivide. Isso é extremamente importante. Dívida no cartão de crédito e juros de empréstimos para itens que se depreciam são como um gafanhoto comendo toda a nossa posse. Sexto, se não pode pagar, fique sem. Isso não apenas ajuda a evitar as dívidas e um orçamento minguado; isso ensina a você e aos seus filhos o domínio-próprio e o contentamento.

5. Nós aprendemos a pedir a Deus que provesse. Deus se agrada em responder orações como estas. Muitas vezes, minha esposa e eu sentíamo-nos pressionados e buscávamos o Senhor para suprir nossas necessidades. Todas as vezes Ele proveu a nós; algumas vezes ao mostrar-nos um caminho que não havíamos considerado, algumas vezes provendo um trabalho ou renda extra, e outras vezes através das dádivas de outros.”

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