Não te contaram que você não se casa apenas com seu cônjuge, mas com a família dele também

Aprendi (Bruna) na faculdade de Letras e na aula de física no Ensino Médio, que tudo depende do referencial. Nós (Terra) estamos parados ou girando rapidamente? Depende do referencial! Na nossa percepção estamos parados, mas para um observador na Lua, nós estamos girando. Não dá pra existir sem ser em relação a alguma coisa. Somos filhos, com relação aos pais, somos alunos, com relação aos professores, somos bons cidadãos com relação aos maus cidadãos e assim por diante.

Quando somos crianças o nosso referencial de família e hábitos, é a nossa própria família. Aprendemos a viver com eles, aprendemos como comemorar aniversários, como demonstrar amor, como adorar a Deus, tudo dentro dos nossos lares e para nós tudo aquilo é descrito como “o certo”, afinal não andamos por aí comparando a nossa família com a dos outros, aprendemos a amar os nossos hábitos e costumes e a nossa família como ela é.

Até que um belo dia, a gente encontra o amor da nossa vida, começamos a namorar, ficamos noivos, nos casamos e começamos a perceber que a família do outro faz coisas diferentes da gente, possui hábitos diferentes, e um outro olhar a respeito do mundo. E agora? Agarramos nossas percepções como inalteradamente certas ou largamos tudo para ter o olhar do nosso cônjuge? É possível conviver em paz com ele e sua família, mesmo com tantas diferenças? E quando os filhos nascem? Como ensiná-los?  E quando os pais do cônjuge aparecem sempre sem avisar?  E quando a família do cônjuge quer dar conselhos quando não foi chamada? E quando eles vêm para o jantar e só falam sobre esportes? E quando eles não respeitam o seu silêncio? E quando um priva o outro do contato com a família? E quando o seu sogro leva o seu filho para um cassino? “E agora, quem poderá nos socorrer?”

A história de nós dois I

Esse aspecto, em nossa vida de casados, é tão importante que, se vocês derem uma olhada nos outros posts da série “O que não te contaram antes do casamento” verão que em todos os assuntos nós falamos sobre a importância de saber de qual contexto familiar seu cônjuge veio! E isso é, de fato, algo que pode causar desconfortos. Só Deus, oração, muito amor e paciência podem resolver esses problemas.

Como sempre, a primeira coisa a fazer é orar pela família de seu cônjuge para que o Senhor transforme as falhas e os corações dessas pessoas. “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer.” Provérbios 21:1, ou seja, ore porque se existe alguém que pode transformar o coração e mente dos outros essa pessoa não é você, mas Deus.

Feito isso, podemos começar a pensar em ações que possam nos ajudar a amar e compreender a família do nosso cônjuge! 🙂

1. Ouça antes de falar.

“Entender uma situação geralmente muda a nossa percepção das pessoas e, como consequência, os sentimentos negativos que possamos ter em relação a elas. Trata-se de um princípio psicológico fundamental: não podemos ler o pensamento dos outros.” (Gary Chapman – Como Lidar com a Sogra – p.20)

Muitas vezes não é que a pessoa fez alguma coisa má para nós, mas nós é que interpretamos mal aquilo que ela nos fez.  Para que isso não aconteça é necessário que a gente faça perguntas aos outros, assim a gente consegue descobrir o que se passa na mente dos parentes do nosso cônjuge. Essas perguntas, porém, devem ser feitas com muito critério e devem ser o mais específica possível, assim fica mais fácil de descobrir a informação que você procura. “Por exemplo, você pode puxar assunto com algumas perguntas preliminares: Quem você acha que vai ganhar o campeonato de futebol? Em seguida, você pode perguntar: Desde quando você se interessa por futebol? O que despertou o seu interesse?” Essas perguntas poderiam esclarecer, por exemplo, porque o seu cunhado só fala sobre esportes com você. Assim você sai de um assunto comum, para entrar mais fundo e tentar descobrir porque a pessoa age de certa forma. Isso não quer dizer que ela será mais ou menos culpada quando você esclarecer as coisas, isso só significa que você poderá compreender porquê a pessoa age daquela forma e isso deixa as coisas muito mais claras.

Essas perguntas devem ser sinceras, seu objetivo não é pôr o parente de seu cônjuge na parede e sim compreendê-lo melhor. Um exemplo que o livro “Como Lidar com a Sogra” traz sobre o tema, além dos esportes que citei acima é de um sogro que levou o netinho para um cassino. Quando o pai descobriu ficou furioso e queria proibir o neto de ver o avô, ao invés disso, ele começou a fazer perguntas sobre o porquê de o sogro gostar tanto de jogar em cassinos, quando descobriu a resposta ainda proibiu o sogro de levar o menino a cassinos, mas ao menos pode compreender o que se passava na mente daquele homem e porquê ele fazia isso, além compreendê-lo ele pode ter ali uma ótima oportunidade até mesmo de ajudar aquele homem a sair dessa vida de jogos. Se a gente não dá a oportunidade de o outro mostrar quem é e o que pensa, quem sai perdendo somos nós!

Além de fazer perguntas, não devemos interromper quando a pessoa está respondendo. Estar aberto a ouvir a resposta (inteira) ajuda muito. Quando interrompemos alguém porque não concordamos com parte da sua explicação estamos dando o primeiro passo para gerar uma discussão (e não é isso que a gente quer, certo?). O propósito de ouvir é compreender e não fazer o seu ponto de vista prevalecer. Nossa opinião deverá aparecer em algum momento, mas não agora. Nos primeiros estágios basta entender. “Para algumas pessoas, evitar interrupções é muito difícil. Elas desenvolveram um padrão de comunicação com base na argumentação. Ouvem apenas tempo suficiente para organizar seu raciocínio; em seguida, interrompem e discordam de qualquer coisa que a pessoa venha a dizer. Gente assim nunca consegue manter um relacionamento positivo com os parentes do cônjuge – nem com outras pessoas -, a não ser que aprenda a romper esse padrão destrutivo de discussões. Os relacionamentos são desenvolvidos à medida que as pessoas procuram compreender umas às outras.” (Gary Chapman – Como Lidar com a Sogra – p.25)

Você pode aproveitar que está ali perguntando, para esclarecer bem as coisas; como? Fazendo perguntas esclarecedoras! Por exemplo, quando alguém conta um episódio da sua vida, no final você pode dizer: “Acho que já sei. Veja se entendi bem…” ou pode dizer assim: “Quero ter certeza de que entendi direito. Você está dizendo que…” Desse modo tudo fica mais claro. Quando o parente do cônjuge responder afirmativamente, dizendo que você compreendeu perfeitamente, você então saberá que ele sente que foi compreendido. Depois disso você pode demonstrar apreço pelo modo como ele foi sincero com você: “Fico muito grato por você estar compartilhando essas coisas comigo.” Assim você deixa de ser um inimigo e gera um clima positivo; pelo fato de ter ouvido, a probabilidade de ser ouvido é também muito maior.

2. Respeite

Respeito é a opção de ver o outro como uma pessoa muito importante por ter sido criada à imagem e semelhança de Deus. Ou seja, “minha opção por respeitar você não se baseia em seu caráter ou na maneira como você me trata, em vez disso, ela se baseia na percepção que tenho a seu respeito.” Respeito não tem a ver em como os outros se comportam, se merecem ou não, nem com a opinião que tem de si mesmos. Na verdade as pessoas carregam um valor único e intrínseco por carregarem a imagem do Criador.

“Pode ser que eu me irrite por causa de determinada coisa que algum parente de minha esposa faz ou diz. O sentimento de irritação não é pecado. No entanto, sou responsável pela maneira como reajo a ele. Se descarrego minha irritação com palavra duras, então eu peco. Deixo de mostrar respeito. “ (Gary Chapman – Como Lidar com a Sogra – p.32)

Esse respeito deve ser estendido não só às coisas simples e triviais como conversas e opiniões, mas também devemos ter respeito pelas tradições e datas especiais, pelas diferenças religiosas, pela privacidade, pelas ideias dos outros e etc. Por exemplo, no Natal, geralmente as duas mães desejam ter seus filhos em casa, porém o desejo do casal deve ser respeitado. Os pais podem dizer como gostariam de vê-los naquele dia e porque, mas devem deixar espaço para que o casal decida como prefere fazer. Às vezes é possível passar a noite na casa de um e o dia na casa do outro, às vezes eles podem alternar um Natal na casa da família do marido e o outro na família da esposa ou mesmo podem querer fazer uma outra coisa com os amigos. O importante aqui é que os pais sejam honrados, ou seja, ouvidos, respeitados e considerados, e os filhos também. Nem sempre conseguimos agradar a todos, o que não nos impede de agir com amor e gentileza.

Também tem a questão da privacidade, que muitos pais têm mais dificuldade quando os filhos casam. O livro traz o exemplo de um casal em que os pais de um dos cônjuges aparecia a qualquer hora do dia para visitá-los. Isso os deixava, obviamente,  muito desconfortáveis porque muitas vezes não estavam prontos para recebê-los. Estavam ocupados com as crianças, tirando um tempo para namorar, ou mesmo cansados e envolvidos com suas rotinas diárias. A solução foi falar com amor como eles apreciavam a presença e a visita deles, mas como isso deveria ter regras e modos se ser feito. O pai foi mais compreensivo, a mãe por sua vez ficou magoada pois achava que as famílias poderiam se visitar a qualquer momento que desejassem. Eles continuaram conversando até que chegaram a um acordo. O diálogo é sempre o melhor caminho e apesar de muitas vezes não concordarmos na hora ou não querermos abrir mão do nosso ponto de vista, é importante respeitar e dialogar sempre que obstáculos aparecerem. Respeito e conivência são coisas diferentes. É possível (e altamente recomendável) discordar com (e por) respeito!

3. Negocie

Em muitos casos de rompimento de relacionamento, seria mais fácil se as partes estivesse dispostas a negociar. Fazer propostas para melhorar o relacionamento não custam nada e tendem a resolver muito bem as situações. Deixar de visitar alguém por causa de uma mágoa não irá consertá-la. O ideal é estarmos abertos a ceder e a também mostrar como desejamos que as coisas sejam.

Por exemplo, alguém fez algo que ofendeu um parente, talvez até tenham trocado insultos e depois disso decidiram que não iriam mais se falar. Porém, alguém precisa quebrar esse silêncio e tentar resolver as coisas. “O neto rabiscou toda a perede da casa da avó. A mãe e a sogra acabaram discutindo por causa disso e a avó proibiu o neto de ir à sua casa. Então a mãe  telefonou convidou a sogra para passear no parque com as crianças naquela tarde, pediu desculpas pelo comportamento do filho e pronto!” Os relacionamentos não precisam ficar quebrados para sempre, minha gente! Mas essas propostas devem ser bem claras e precisas, não adiantaria nada se a mãe tivesse dito à sogra: “ah! vamos quem sabe um dia passear no parque com as crianças!”, isso geralmente não funciona. Mas propostas com específicas surtem efeito, assim os envolvidos podem dar respostas mais facilmente.

Seja receptivo ao diferente, não adianta você só querer que as coisas sejam feitas do seu jeito. Ouça com atenção as contrapropostas e tente achar uma solução em que todos ganhem. Geralmente os almoços de domingo são super disputados, as duas famílias querem ver seus filhos, porém, o casal precisa ter espaço do mesmo modo que precisa ver seus pais. Negociar é o caminho mais certo.

5. Ame

O mais importante (depois da oração) é amar. O amor é a chave para uma relação de amizade e compreensão. Achamos que o mundo gira ao nosso redor e nos esquecemos de suprir também as necessidades dos outros. Sem contar que o amor ocupa nosso coração de uma forma que superamos mais facilmente os conflitos. “Há maior felicidade em dar do que receber.” Atos 20:35 Imagine o que aconteceria em seu relacionamento com a família de seu cônjuge se você começasse a perguntar: “De que maneira posso ajudar você?”

Mas aí pode vir a pergunta: E se os parentes do meu cônjuge me tratarem mal? Como poderei amá-los? E aí e que entra mais uma vez os ensinamentos de Jesus, devemos amar até mesmo os nossos inimigos (Mateus 5:43-44). Lembre-se o amor não é um sentimento e sim uma atitude que envolve uma decisão. Decida hoje (pedir ajuda a Deus para) amar a família de seu cônjuge e se surpreenda com o resultado.

Muitas vezes as pessoas não têm a intenção de nos ferir, simplesmente elas são assim mesmo: fechadas, indiferentes, às vezes um pouco rudes, mas ainda assim, nós podemos ser diferentes. Decida amar os parentes de seu cônjuge, decida não reclamar mais por ter de ir visitá-los e mais do que isso, pense que por mais que você veja muitos defeitos neles, sempre há algo a ser aprendido, abra o seu coração para até mesmo aprender com essas pessoas. Mesmo que seja aprender a ser paciente, aprender a ficar calado e engolir certas coisas, aprender a ser tolerante, são lições muito importantes que a gente só aprende exercitando.  Tudo isso sem contar com o quão importante é para o seu cônjuge que você ame a família dele. Fere muito falar mal dos pais dele ou dela, magoa, machuca. Aprendamos a amar a família do nosso cônjuge. Vamos ouvir, respeitar, negociar e amar para que os nossos relacionamentos glorifiquem a Deus.

Bruna e Esther (:

 

UPDATE

E para as sogras, aqui vai uma dica de leitura: “A Sogra que Eu Quero Ser – Parte 1”, escrito por mulheres que entendem do assunto e que diferente de mim já são mães e provavelmente, já são sogras. 🙂

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2 pensamentos sobre “Não te contaram que você não se casa apenas com seu cônjuge, mas com a família dele também

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