A morte do lar

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A morte do lar, das refeições à mesa, das sobremesas de domingo, dos quebra-cabeças em família, dos passeios de bicicleta no meio da tarde, dos banhos de mangueira nas crianças e dos bolos de chocolate na quarta-feira de chuva tem nome: feminismo. Poderíamos dar também outros nomes, que levariam sempre ao fato de vivermos em uma sociedade caída e corrompida pelo pecado, na qual o feminismo é um deles.

E antes que os protestos comecem, eu aviso: não concordar com o feminismo, não é ser necessariamente machista, do mesmo modo que não concordar com a esquerda não faz de mim extrema direita. É bem verdade que as mulheres precisavam mesmo do direito ao voto, à educação e a tantas outras coisas legítimas, mas acho que o feminismo acabou indo longe demais.

“Cria do marxismo, o feminismo faz do mundo o palco de uma luta, para o marxismo uma luta de classes, para o feminismo uma luta entre os sexos, como se a resolução para o problema do machismo fosse o feminismo.” Afirma Norma Braga em entrevista. Quando na verdade o que o feminismo traz é uma inversão de papéis: homens fazendo o papel de mulheres e mulheres fazendo o papel de homens (já que no ponto de vista feminista esse papel teria maior prestígio social).

Desde a oitava série eu ouvia sobre como as mulheres deveriam se tornar independentes, sobre como as mulheres eram “o outro não essencial” e por isso deveriam se rebelar contra esse sistema machista; na faculdade, cursando Letras, especificamente uma matéria sobre Gênero, eu vi o ódio ao masculino, a revolta de quem queria igualdade em tudo e ao que tudo indica o maior grito de libertação do nosso século é o aborto. O ponto extremo da liberdade feminina, do poder sobre o próprio corpo e sobre a própria vida.

Na igreja eu aprendia sobre submissão bíblica, sobre o papel do homem e da mulher e tudo ficou claro quando eu me casei e quando me vi sem cursar a faculdade, sem trabalhar fora, sem ganhar meu próprio dinheiro. Quando dei por mim estava nos braços do meu marido chorando e dizendo que eu não era ninguém. Se isso não é ser feminista, então eu não sei o que é! Gente, pra onde foi a nossa identidade a ponto de precisarmos que o feminismo a incutisse? Pra onde foi a nossa identidade a ponto de precisarmos trabalhar 8 horas, fazer mestrado e doutorado e pós doutorado pra termos algum valor? Pra onde foi a nossa identidade a ponto de começarmos a responder a pergunta “Quem sou eu” a partir da nossa profissão?

Ali eu comecei a me voltar para o Senhor e para aquilo que Ele dizia na Bíblia sobre quem eu sou. Foi ali que eu comecei a entender de verdade o significado de ser uma mulher, o significado que Deus havia atribuído a esse ser e não o feminismo.

Em primeiro lugar, não somos em nada seres inferiores aos homens, e eu não sei de onde o feminismo tirou essa ideia. Deus nos criou à sua imagem e semelhança, essa é a nossa primeira identidade, quando for responder à pergunta “quem sou eu” pense que você é alguém criado à imagem e semelhança de Deus.  “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Gênesis 1:27

Porém, isso não significa que somos iguais em função. Ter o mesmo valor não significa ter a mesma função. O que tem mais valor um copo ou uma xícara? Os dois tem o mesmo valor, mas um serve pra gente beber suco e outro pra beber café! O que tem mais valor os dedos ou a palma da mão? Entendem o absurdo da comparação? Ter funções diferentes é uma coisa comum no nosso mundo. Por que raios homens E mulheres precisam fazer as mesmas coisas? É contraproducente!

Em segundo lugar, se dizemos que somos mulheres cristãs, precisamos dar mais atenção ao que Deus quer de nós do que o que mundo quer de nós. Deus deseja ser glorificado, Ele nos criou justamente para isso, e se queremos glorificar a Deus podemos observar em Sua palavra como Ele deseja que isso seja feito: “Para que ensinem as mulheres mais novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.” Tito 2:4-5 Acho que encontramos as nossas primeiras respostas sobre a identidade feminina. Deus quer ser glorificado através do nosso lar.

Isso significa que não devemos trabalhar fora de casa? Talvez sim. Talvez seu trabalho esteja atrapalhando a sua prioridade, que é amar e cuidar do seu marido e filhos e ser uma boa dona de casa. Talvez não, talvez Deus tenha separado esse tempo pra você amar seu marido de uma outra forma e servir ao seu lar de um outro modo. Tudo depende de como o Espírito Santo guiou sua família nessa situação específica. O fato é que como vontade de Deus objetiva, aquela que Ele deixou registrada nas Escrituras, uma esposa deveria ser uma boa dona de casa e estar dedicada em primeiro lugar a sua família. A mulher de Provérbios 31, trabalha o dia inteiro zelando pela sua família.

John Piper em um vídeo que responde à pergunta “É correto mães trabalharem em tempo integral?“, afirma que o trabalho “fora” só foi surgir depois da Revolução Industrial, antes disso trabalhar estava sempre associado com as próprias rotinas diárias, como trabalhar na lavoura, fazer cestos, o sustento da família vinha principalmente do homem, mas todos poderiam estar envolvidos ajudando. Hoje nós não podemos ir até a empresa dos nossos maridos ajudá-los enquanto leem processos, fazem projetos ou constroem casas, mas ainda assim somos chamadas para sermos a sua auxiliadora. “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.” Gênesis 2:18

No livro “Mulheres em Apuros”, Martha Peace trata sobre o movimento feminista, os enganos e confusões do livro “A Mística Feminina” de Betty Friedan e mostra nove exemplos de como o feminismo tem nos influenciado, vou escolher quatro pra mostrar a vocês:

1. Como temos sido influenciadas: Deve haver mais na vida do que limpar a casa. Farei alguma coisa para mim mesma! Minha família sobreviverá.
Como a Bíblia diz que devemos mudar: Oponha-se a essa filosofia errada; retire o foco de si mesma e o direcione a um desejo de honrar a Deus (Romanos 12:2), e obedeça a Sua palavra. Por exemplo: “Farei meu trabalho ‘de todo coração, como para o Senhor’ e escolho considerar a minha família mais importante do que eu mesma.” (Colossenses 3:23; Filipenses 2:3)

2. Como temos sido influenciadas: E eu? E minhas necessidades? E os meus direitos? Tem algo faltando na minha vida. Preciso do meu espaço.
Como a Bíblia diz que devemos mudar: Entenda que a teoria das “necessidades” é antibíblica. É desnecessário, inquietante e antibíblico pensar nesses termos. As Escrituras nos dizem que Deus nos tem dado todas as coisas que precisamos “que conduzem à vida e à piedade (2 Pedro 1:3). Então, deveríamos estar pensando em termos de amar a Deus e amar os outros e não em termos de nossas próprias necessidades. (Mateus 22:37; Tito 2:4)

3. Como temos sido influenciadas: As mulheres não são inferiores aos homens. Tenho tanto direito de expressar minha opinião quanto eles têm.
Como a Bíblia diz que devemos mudar: Para Deus não há parcialidade – quer sejamos homem ou mulher (Gálatas 3:28). Nas Escrituras fica claro que as mulheres não são inferiores aos homens; contudo, isso não significa que eu sempre tenho o direito de expressar minha opinião ou insistir nela. Minha responsabilidade é de estar sob a autoridade de meu esposo (1 Coríntios 11:3). Deus sabe mais do que qualquer pessoa como posso glorificá-Lo melhor.

4. Como temos sido influenciadas: Não é justo que meu esposo não faça nem a metade do meu trabalho aqui. Se ele me amasse, dividiria as responsabilidades de casa meio a meio.
Como a Bíblia diz que devemos mudar: Senhor, que o meu maior desejo seja agradar o Senhor (e que o Senhor cumpra a sua vontade em minha vida) e não rebelar-me contra Ti, exigindo meus supostos direitos “iguais”. Dá-me a disposição para ser uma trabalhadora alegre em casa (Tito 2:5).

Pouco a pouco o feminismo entra nas nossas mentes, nas nossas vidas, até o ponto de ser mãe ter virado “bengala”, ser dona de casa ter virado sinônimo de “empregada” e ter um lar ser uma coisa tão fraca e frágil que as pessoas já quase nem se casam. O feminismo não prega liberdade, ele prega a morte. A morte dos filhos que não nascem porque as mulheres não tem tempo pra isso; a morte do amor, porque homens e mulheres não são complementares, as mulheres se bastam; a morte do lar, que se tornou só mais um espaço pra comer e dormir entre uma multidão de ocupações. Trabalhar fora ou ser do lar é só uma pontinha da nossa perda da identidade feminina em Deus. Estejamos atentas.

Com amor,
Bruna

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6 pensamentos sobre “A morte do lar

  1. Pingback: “O amor não busca seus próprios interesses” | Com Amor no Lar

  2. É bom lembrar também, que não é regra marido ajudar em casa, e com os filhos. Ou seja, é por isso que hoje fala-se tanto na segunda jornada de trabalho da mulher que, além de trabalhar as 8h fora de casa, chega em casa e tem tudo pra fazer: roupas, comida, limpeza, cuidado com os filhos…
    Partilhando da ideia da Bruna e da Esther, lembro de uma frase que li no face esses dias: “O certo é certo ainda que ninguém esteja fazendo. O Errado é errado ainda que todos estejam fazendo.”
    Quero e tenho buscado o padrão de Deus pra minha família!!
    E me sinto honrada de poder cuidar da minha casa, do meu marido e dos meus filhos…
    Deixo aqui uma reflexão para as esposas que trabalham fora: “Será que algum dia, não surgiu entre o casal uma discussão em função de uma louça que não foi lavada, uma toalha em cima da cama, um chão com farelos, ou um lixo que não foi tirado?? Se o casal está tendo desentendimentos quanto ao serviço que deve ser feito, é porque algo está errado… Ou ele está invadindo o espaço dela, ou ela o dele, ou os dois… Ou ainda quem sabe os papéis estejam trocados… Cada um sabe o que faz da sua vida, mas, viver para Deus, seguindo seus preceitos, nos faz pensar em qual é nosso papel exatamente!
    Que Deus nos abençoe e fale aos nossos corações!!

  3. Há controvérsias. Acredito que muito do que se diz e faz não tem nada a ver com feminismo. Eu mesma, me casei nova (20 anos), sempre trabalhei, criei 3 filhos, hoje adultos, sempre com tarefas compartilhadas não só com o marido, mas com os filhos também. Desde cedo ensinei aos três a lavar, limpar banheiro, cozinhar, pois um dia haveria a necessidade de colocar essas habilidades em prática, quer morando sozinhos ou casados. Hoje eles são adultos e independentes nesse quesito. Por outro lado, nunca deixei de fazer algo com eles, um passeio, assistir à um filme, por conta de ter que lavar roupa, ou coisa parecida. O amor, união e cumplicidade sempre foram prioridades para nós. Então, acredito que é possível fazer refeições diárias à mesa com a família, ter qualidade nos relacionamentos e cultivar a união dos filhos e trabalhar fora, ser uma profissional de qualidade, bem preparada, com mestrado e doutorado, se necessário. A Bíblia nos ensina isso. A mulher virtuosa citada em Prov. 31, saía pra o mercado e vendia os cintos que fazia. Ela era uma comerciante e o marido orgulhava-se dela. Também acredito que, por opção, aquelas mulheres que, junto com o esposo, decidirem tornar-se donas de casa e abdicarem de uma vida profissional também têm igual valor diante dos homens e de Deus, sem precisar buscar fundamentos bíblicos para se justificar. Afinal, Deus nos dá essa liberdade quando, em Cristo, nos possibilita uma vida abundante. E isso, já explica tudo. Grande beijo.

    • Acho um equívoco citar a mulher de prov. 31… já que, como a Bruna falou, ela trabalhava em sua casa, pois somente depois da revolução industrial que a mulher mudou sua esfera de atuação, infelizmente. Até então, seus trabalhos eram primordialmente domésticos… até mesmo quando comprava e vendia. A situação era muito diferente do contexto atual. Logo, acho que a Bíblia não nos ensina que é função da mulher trabalhar fora, nem que é agradável que ela divida seu chamado de mãe com terceiros (vó, creche, etc), visto que desde o Éden o trabalho foi atribuído ao marido.
      Além do que, não é porque uma coisa deu certo, que seja certo. No caso, seus filhos foram bem criados e não lhes faltou amor e afeto… mas isso não é a regra.

      Recomendo profundamente a leitura deste artigo: http://www.monergismo.com/voddiemonergismo-net-br/a-mulher-de-proverbios-31-uma-mulher-de-carreira/ Cito um pedaço:

      “A mulher de Provérbios 31 certamente era empreendedora. Ela também trazia renda para o lar e o fazia mais produtivo. No entanto, não há nada nesta passagem que sequer sugira uma carreira. Ela não batia ponto. Ela não tinha uma babá. Na verdade, o contexto cultural faz como que essa leitura seja implausível. O Israel do Antigo Testamento não era uma cultura na qual uma “garota de carreira” se desenvolvia. Mas e quanto às outras verdades nesta passagem que eram a norma para as mulheres do Israel do Antigo Testamento? Por que usamos essa passagem para incitar as mulheres a terem sua carreira fora de casa, mas não estimulamos as mulheres a levantar de madrugada para fazer a comida pra família ou cultivar a própria comida […]”

      Um abraço,
      Esther.

    • Querida Sara, que bom te ver por aqui! 🙂 Fico muito feliz por você ter dividido suas controvérsias com a gente, a vida é assim mesmo, às vezes concordamos, às vezes discordamos, mas que bom que o nosso assunto é o Senhor Jesus e o que Ele nos ensina sobre a vida no lar.

      Vamos lá, acho que todas essas coisas tem sim muito a ver com o feminismo, que começou no século XVIII e vem ganhando força até hoje. Entendo o feminismo como “um movimento social, filosófico e político que tem como meta direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana, por meio do empoderamento feminino e libertação de padrões opressores baseados em normas de gênero.” Assim encontrei na Wikipédia e acho que se encaixa em tudo o que disse. Os “padrões opressores baseados em normas de gênero” a que o texto se refere não são reconhecidos na Bíblia, bem como o “empoderamento feminino”. O que aprendemos na Bíblia é que homem e mulher tem mesmo funções sociais diferentes e isso não tem nada de opressor.
      Em segundo lugar, concordo com o que a Esther falou: “não é porque uma coisa deu certo que seja certo”. Talvez, no seu caso, de alguma forma você conseguiu conciliar as coisas, mas essa não é a regra. Também não estou dizendo que uma mulher que trabalha fora esteja fadada ao fracasso. Apenas acredito que ter como prioridade satisfazer as necessidades da sua família: 1. Amando seu marido e filhos, sendo boa dona de casa (Tito 2:5); 2. Educando os filhos no caminho do Senhor (1 Timóteo 2:15); 3. Estando envolvida com as necessidades dos pobres e necessitados (Provérbios 31:20) não deixará muito tempo livre para o trabalho fora de casa. Agora, se uma mulher consegue dar conta de tudo isso e ainda lhe sobra tempo para trabalhar fora então ela poderá tranquilamente exercê-lo.

      A única coisa que me preocupa, que foi o que me moveu a escrever, não é somente uma questão sobre trabalhar fora ou dentro de casa, acho que a coisa vai um pouco mais fundo, no sentido de devolver a mulher cristã a sua identidade em Deus, redescobrir a feminilidade bíblica. Percebo que muitas mulheres de várias idades têm buscado freneticamente a realização profissional e pessoal fora do seu lar e isso é inaceitável. Ainda que uma mulher trabalhe fora a sua realização está no seu lar, o seu trabalho é uma coisa extra. Me preocupa muito ver mulheres que não tiveram sucesso profissionalmente se queixando de serem menores, quando não existe nenhuma vergonha em não ter uma carreira profissional quando se é esposa e mãe. Na verdade esse deveria ser o orgulho: sou esposa, sou mãe de x filhos, sei o que acontece na vida deles, prego o evangelho diariamente a eles. Eu vejo as conversas entre mulheres mais velhas e nunca é sobre uma forma mais dinâmica de fazer o culto doméstico, ou um testemunho sobre a obra de Deus no cotidiano da sua família, seus assuntos são sempre maquiagem, emprego, compras e futilidades.
      Foi por isso que decidi escrever. E foi por isso que investi esse tempo e o meu amor na ponta dos meus dedos para te responder. Porque eu amo a Cristo e fico muito triste de ver o mundanismo entrar na igreja e ninguém falar nada.
      Com amor e um abraço apertado,
      Bruna

      • Boa Tarde Bruna, nossa esse texto é exatamente TUDO o que o SENHOR tem falado ao meu coração nesses últimos dias, parei de trabalhar fora qdo ganhamos o nosso primeiro filho Vinícius hoje com 6 anos e também temos a Alice com 2 anos, qdo vejo a vida de Cristo atraves da vida deles tenho a certeza de que fiz e faço o melhor para Deus e para a minha familia. Assim como vc tenho me preocupado muito com as necessidades que as mulheres criaram apenas para não estar no Lar cumprindo as tarefas a qual fomos desgnadas. Priscilla Oliveira, abraços!

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