Das coisas não tão boas da gravidez

E pra quem não simpatizou já com o título, achando que lá vem “mi mi mi”, aqui vai o link para o primeiro post sobre as coisas boas da gravidez. Aí vai ficar claro que tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim, e a gestação não poderia ficar de fora. Sobre as coisas boas a gente já falou, agora ficou faltando falar das coisas ruins, ou não tão boas que a gravidez proporciona. Espero que não sirva como pretexto pra não ter filhos ou criticar quem os queira, até porque acho que nenhuma das coisas ruins da gravidez supera as coisas boas, mesmo que juntassem todas as coisas ruins, uma coisa boa bastaria para que valesse a pena! Mas, chega de cálculos, vamos às verdades que interessam:

1. Ficar enjoada até de Nutella.

Foto: Milena Reinert

Foto: Milena Reinert

Essa era eu. Gordinha, com o meu vidro de Nutella de 1kg que eu poderia devorar em, no máximo, 2 semanas. Era no pão, no croissant, na piadina, com morango, com uva… Isso até eu engravidar. Praticamente até o fim do quarto mês eu não podia nem sentir o cheiro da dita cuja. O enjoo tinha se tornado um estado, e não uma coisa passageira. Eu acordava com ele, dormia com ele e se tivesse sorte conseguia cozinhar uma batata pra comer com carne (que também me deixariam enjoada). Passei algum tempo longe da cozinha e meu super marido me substituiu, era ele que chegava do trabalho pra fazer o almoço, eu às vezes até tentava, cortava um tempero aqui, uma água pra ferver ali e aí corria enjoada pra cama ou pro terraço pra pegar um ar. Graças a Deus o ar era gelado! Nos meus primeiros meses era inverno por aqui (Itália) e toda aquela máxima de 10 graus me fazia muito bem. Então, a primeira coisa não tão boa, praticamente unânime entre as gestantes é o enjoo. Eu não tomei nenhum medicamento, minha médica sempre tratou como algo normal da gestação e com a velocidade com que se instalou ele foi embora! De repente eu já podia cozinhar, sentir cheiro de perfume e até comer Nutella outra vez (o que se tornou um perigo! ahahahahaha). Ah! Faltou dizer que o enjoo não está necessariamente associado ao vômito. Às vezes você vomita, às vezes não. E acredite em mim, várias vezes você daria tudo pra poder vomitar e voltar a ter uma vida normal, mas nem sempre é isso que acontece. Aí boa sorte pra viver esse tempo tendo que fazer tudo enjoada.

2. Cansaço e sono.

sono (1)

 

Ainda que você não tenha horários para cumprir fora de casa o sono e o cansaço serão grandes obstáculos na gestação. E não pense que é só uma leve sonolência não, gente é um sono incontrolável, daqueles que a gente está olhando pra pessoa e não tem certeza se conseguiu ficar mesmo com o olho aberto enquanto ela estava falando! Aquele sono que você deita na cama e diz: “ok! Vou dormir então 30 minutos e depois termino as minhas atividades” e aí quando o despertador toca (se é que você o colocou pra despertar) você tem a sensação de que ele só pode estar errado, desliga na hora, e quando vê já se passou 1h30 desde que você o desligou! Nas tardes em que posso dormir, muitas vezes fico impressionada comigo mesma, com a forma que eu durmo e com o tempo que posso passar dormindo. É uma coisa incrível! E nada agradável, porque existem mil tarefas pra fazer enquanto você quase morre pra conseguir levantar da cama!

Além do sono tem o cansaço, que é outro grande aliado da gestação. Principalmente dos últimos meses. A sensação de ter corrido uma maratona, apenas pelo fato de ter arrumado a casa, varrido e feito o almoço é inacreditável! Várias vezes eu programei coisas para fazer no período da tarde e tive que cancelar porque de manhã eu limpei a casa. E também, na gestação você descobre que ter a casa minimamente organizada e a louça limpa é uma grandíssima vitória! (Talvez já seja a preparação para o que vem pela frente) O cansaço não permite que você faça além do básico e isso é muito frustrante. Até o momento em que você se conforma com aquela baguncinha no armário da cozinha e aquela sujeira na janela que nunca dá de limpar. Isso falando das obrigações, sem contar com aquele encontro super legal com as amigas que você queria ir, mas que só de pensar já está ofegante! Aquela viagem que você tinha planejado e que das duas, uma: Ou você vai e vai fazer menos da metade do que planejou, para ficar confortável; ou você cancela. Porque certamente se você for e quiser agir como um ser humano normal você terá que arcar com sérias consequências! Conheço histórias de grávidas que tiveram problemas nos pés por um bom tempo, pelo simples fato de ter ido viajar e ter pensado que era um ser humano normal.

3. Conhecer todos os banheiros da cidade (ou decorar o seu!).

Placa em um shopping em Oslo, Noruega.

Placa em um shopping em Oslo, Noruega.

Fazer xixi constantemente é outra coisa que está presente durante toda a gestação. E não é uma coisa normal, é uma coisa louca, do tipo a qualquer momento que você me perguntar se eu quero ir ao banheiro eu posso aceitar! Desse modo, eu conheço todos os banheiros dos supermercados que frequento, os banheiros mais limpinhos do centro da cidade e já decorei o meu próprio banheiro, de tantas vezes que eu vou! E o pior é que parece irreversível, já tentei tomar menos líquido, ficar segurando, mas (não façam isso em casa) não adiantou nada. E a explicação é científica: pelo fato de haver o dobro de sangue circulando no seu corpo, muito mais sangue é filtrado e muito mais líquido é excretado. Então, esteja pronta pra ir quantas vezes puder ao banheiro! E já dou uma dica: leve sempre consigo um pacotinho de lenços de papel, nunca se sabe se em alguma emergência você vai até encontrar um banheiro, mas não vai encontrar papel, então esteja atenta. E outra, não pense que esses passeios ao banheiro sejam apenas durante o dia não, durante a noite você vai acordar pelo menos 2 vezes pra ir dar uma volta no trono de porcelana, isso em noites tranquilas, porque haverão aquelas que você terá de ir 4 ou 5 vezes!

4. Montanha-russa emocional.

Bipolaridade

 

No post das coisas boas eu sugeri tirar proveito disso e tentar ser feliz: “Esqueça os dias de choro contínuo porque “ninguém me ama” (porque esses dias são muito reais) e pense em todos os dias de “sou a estrela da festa” mesmo quando só tem você na cozinha lavando louça!” Mas agora quero falar sobre os dias “ninguém me ama”, sobre os dias “não existe roupa pra mim nesse mundo!”, sobre os dias “ninguém me compreende” ou sobre os dias “ninguém tem paciência comigo”. Vão existir dias que você vai sentir uma tristeza profunda, dias em que o que você mais queria era conseguir segurar as lágrimas. Também vão ter aqueles dias em que você vai se irritar com qualquer coisa, que não vai poder ouvir a voz de uma certa pessoa e dias que vai fazer (ou querer fazer) barraco na fila do supermercado. Raiva, tristeza, impaciência, choro sem motivo, tudo isso vai te acompanhar nesses nove longos meses de gestação. E se você é cristã, sabe que temos que ter domínio próprio e precisamos pedir sempre ao Senhor que nos ajude para que não pequemos contra Ele nesses momentos. Além desses sentimentos, a “montanha-russa” também afetará sua vida sexual, se é que outra coisa já não afetou primeiro! Claro que terão dias que será ótimo estar a sós com seu marido, mas terão dias (e talvez não tão poucos como gostaríamos), que será um fardo fazer sexo. Dias em que o libido some completamente, dias em que você não consegue nem pensar em ser tocada e dias fatídicos em que apesar de toda a sua vontade seu corpo não corresponderá às expectativas. Esteja ciente desses percalços.

5. Só Paracetamol e (alguns) chás. 

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Lembra quando você ia pra escola e quando passava mal a secretária ou coordenadora pedagógica te dava um chá pra passar a dor? Poderia ser qualquer tipo de dor ou febre, sempre ela vinha com o mesmo chazinho… Assim é na gestação. Não existem muitos remédios testados em mulheres grávidas, logo, apenas alguns é que são “liberados” para as grávidas tomarem em caso de necessidade. Aqui na Itália o Paracetamol (ou Tacchipirina, que é um Paracetamol 500mg) e o Buscopan são liberados, pra todo o resto você precisa ir ao médico e esperar que ele tenha uma boa solução pro seu problema. Claro, quando eu digo liberados, não quer dizer que a gestante deve tomar deliberadamente esses remédios, mas que num momento de dor ou desconforto, poderão fazer uso deles sem peso na consciência. Felizmente, não tive muitos problemas durante a gestação e para mim não foi tão difícil ficar longe dos remédios. Mas a nossa outra blogueira grávida, a Esther, teve lá a sua dose de desconforto. Ela sofre de rinite e enxaqueca e teve que se privar do seu único aliado contra a dor. Não é fácil! Me lembro de um resfriado que tive, acompanhado de forte dor de garganta. Geralmente eu passava um spray pra aliviar a dor durante o dia, dessa vez tive que me contentar com o chazinho e o paracetamol e uma boa dose de paciência e resistência pra vencer o resfriado.

6. Peso.

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Não sou do tipo neurótica com essa coisa de peso. Nunca fui. Não acho que grávida deve comer por dois, nem acho que grávida deve fazer uma dieta rigorosa. Alimentação é coisa pessoal e é uma escolha. Mas preciso dizer e alertar que na gestação o peso é assunto importante. E está aqui nas coisas ruins porque ninguém quer ficar se preocupando com isso, certo? E ao mesmo tempo toda grávida sonha em voltar (mais ou menos) ao peso que tinha antes da gestação. Algumas fontes vão dizer que se deve engordar de acordo com o IMC, outras vão dizer que gravidez é 1kg por mês e basta. O que me interessa saber, ou criticar não é o quanto uma pessoa pode ou deve engordar na gestação, mas alertar para o impacto (ruim) que isso causa na sua vida. Infelizmente trata-se de uma pessoa sedentária, que fica ofegante ao correr pra pegar o ônibus. Essa pessoa também não come quilos de salada ou de legumes, mas come muitas frutas! De todo o modo é inevitável e esperado que a gestante engorde, que ganhe os quilos do próprio bebê e mais de todo o resto: placenta, sangue extra, estoque de gordura para amamentação e assim por diante. Tudo isso pode gerar diversos desconfortos: dor nos pés e no calcanhar, dor no joelho, falta de ar, ainda mais cansaço, suor nas gordurinhas, diabetes gestacional, dor nas costas e assim por diante. Então é importante saber que a gravidez traz um peso a mais, seja no aspecto físico, seja em outros aspectos. Saiba lidar com esse peso quando ele começar a surgir e que sirva de incentivo pra você não comer por 2! ahahahahaaha

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