EDUCAÇÃO DE FILHOS: um exemplo de rotina por Susanna Wesley

(c) Epworth Old Rectory; Supplied by The Public Catalogue Foundation

Depois dos posts sobre a organização da rotina no lar, sobre ter ou não ter, e como ter uma rotina com bebês, pensei que seria bem interessante publicar a cópia de um testemunho de uma mãe que educou seus 19 filhos nos caminhos do Senhor. É uma belíssima carta. Com ela não estou querendo dizer que devemos fazer exatamente como esta esposa e mãe dedicada fez, até porque a sua realidade foi bastante diferente (particularmente eu gostaria de fazer muito do que ela fez), mas no que diz respeito a princípios cristãos, acredito que podemos extrair e meditar sobre as suas preciosas palavras e buscar seguir, na realidade do nosso lar, os mandamentos de Deus ali embutidos.

Diante da reprodução do texto que vocês podem ler ao acessar o link que está no final do post, elenquei alguns desses princípios cristãos, que independente da realidade, do contexto familiar, devemos, por mandamento do Senhor, praticar, para que somente Ele seja glorificado através de todos os benefícios que Ele tem nos dado.

  •  Ela separava um tempo a sós com Deus

“Susanna Wesley praticava o que ensinava aos seus filhos. Muito embora ela tivesse dado à luz dezenove filhos, e fosse uma mulher naturalmente frágil e ocupada com muitos cuidados da família, ela separava duas horas diárias para devoção a sós com Deus. Susanna tomou esta decisão quando já dera à luz nove filhos. Não importava o que ocorresse, ao badalar do relógio ela se retirava para comunhão espiritual.”

Provavelmente, ao longo desses anos ela percebeu que o que mais importava era a sua vida com Deus. Ela deve ter pensando que colocar as coisas deste mundo, ainda que o próprio Deus tenha providenciado todas essas coisas, antes dEle, seria um equívoco. Antes, seria necessário um tempo a sós com o nosso Criador e Pai para meditação, em oração, pela necessidade que temos de expor o nosso coração a Ele (porque isso também é um principio bíblico quando a Palavra de Deus nos diz para orarmos sem cessar/ I Tess. 5:17, colocar diante dEle todas as nossas angústias através das orações e súplicas com ações de graças/ Fp. 4:6), rogando a Deus para que renovasse suas forças, que pudesse capacitá-la para tal chamado, etc.

Como ela poderia auxiliar seu esposo se estivesse profunda e somente envolvida ou enredada com os afazeres domésticos e familiares? Como ela transmitiria o exemplo a seus filhos de uma vida com Deus sem um exemplo claro de uma busca em oração, no meditar na Palavra de Deus e com maior clareza ensinar o evangelho aos seus filhos?

É provável que ela tenha se visto esgotada das coisas terrenas ainda que vivesse aqui como vivemos e tivesse que cuidar e educar seus nove primeiros filhos, além de auxiliar seu esposo cumprindo seu chamado de auxiliadora idônea.

Essas são apenas especulações da minha parte que podem nos fazer refletir diante da nossa realidade familiar.

  •  Ela disciplinava seus filhos

“Quando chegavam à idade de um ano (e algumas antes disto), eram ensinadas a temer a vara, a chorar brandamente, o que lhes poupou muitas outras correções que de outra maneira teriam sofrido; assim, aquele barulho odioso de crianças chorando raramente se ouvia em nosso lar; e a família vivia usualmente em tanto silêncio como se não houvesse criança no meio dela.”

Hoje em dia esse assunto está cada vez mais difícil de ser debatido diante da realidade que temos vivido hoje. A inserção violenta do Estado na vida familiar decidindo como as coisas devem ser e a negação do evangelho, da cultura cristã na vida daqueles que tem buscado viver para a glória de Deus, tem sido cada vez mais difíceis. Temos a tal Lei da Palmada que certamente dará os seus frutos assim como temos visto as aberrações da família e da infância na Suécia

Pois bem, Susanna Wesley não temeu a correção, certamente, antes tomou a decisão de amar a Deus e a seus filhos quando os corrigia (com o objetivo de salvar as suas almas como iniciou em sua carta).

Esse trecho é “perturbador”:

“A fim de formar a mente das crianças, a primeira coisa a ser feita é vencer-lhes a vontade, e trazê-las ao ponto de obedecer. Formar o entendimento é obra que exige tempo, e deve, com crianças, ir devagar, segundo possam aceitá-lo. Mas a sujeição da vontade é coisa que tem de ser feita duma vez; e quanto mais cedo tanto melhor. Se acaso negligenciar em corrigi-la a tempo, tornam-se as crianças teimosas e obstinadas, o que é difícil corrigir sem castigo severo; então seria tão penoso para mim como para a criança. Na estima do mundo, passam por pais de bondade e indulgência; eu, porém, os considero cruéis, se permitirem que suas crianças formem hábitos, de que sabem mais tarde têm de ser corrigidas. Não só; alguns estupidamente gostam, com ares de brincadeira, de ensinar a seus filhos, fazerem coisas, pelas quais têm de castigá-las severamente mais tarde. Quando uma criança for corrigida, deve ser vencida, e não será coisa difícil de fazer, se já não está viciada pela demasiada indulgência. E quando a vontade da criança está completamente vencida, e está pronta a obedecer aos pais, então muitas tolices e inadvertências podem passar sem reparação. Algumas podem ser passadas por alto, e outras corrigidas brandamente; mas desobediência voluntária não se deve perdoar na criança, sem ser castigada, mais ou menos de acordo com a ofensa e circunstância.
Eu insisto no vencimento da vontade da criança, cedo, porque este é o único, forte e racional fundamento da educação religiosa; sem o qual tanto o preceito quanto o exemplo ficam sem efeito. Mas quando isto é bem feito, então a criança é capaz de ser governada pela razão e piedade dos pais, até o seu entendimento amadurecer, e os princípios da religião criar raízes na sua mente.
Não posso largar o assunto. Visto que a obstinação é a raiz de todo pecado e miséria, tudo o que a alimenta na vida da criança, garante a sua miséria e irreligião; tudo que a restringe e mortifica, promove a felicidade e piedade da criança no futuro. Isto mais se salienta se considerarmos ainda que a religião não é mais nada do que fazer a vontade de Deus, e não a nossa própria vontade; que o único e grande impedimento à nossa felicidade temporal e eterna é a obstinação, qualquer indulgência dela não pode ser coisa trivial. O céu e o inferno dependem somente disso. Portanto, os pais que se esforçam para subjugá-la no seu filho, cooperam com Deus na renovação e salvação da alma; os pais que favorecem ajudam o diabo na sua obra, tornando a religião impraticável, a salvação incerta; e concorrem para a condenação da criança, corpo e alma, para sempre.”.

Percebam que a correção tem como objetivo vencer a vontade humana. A correção tem como objetivo despertar em nossas mentes e corpos, bem como profundamente em nossas almas, o objetivo de mortificar os desejos que guerreiam contra a vontade de Deus para que não andemos afastados do próprio Deus, sem a certeza de quem somos e porque estamos aqui e para onde vamos. A correção, se assim posso dizer, é um processo de santificação desde a tenra idade.

  •  Ela organizava os costumes do lar

 “Às crianças do nosso lar, logo que podiam falar, era ensinado o “Pai Nosso”, que tinham de repetir na hora de deitar e levantar; ao qual, quando maiores, se acrescentava uma oração pelos pais, e algumas orações outras, o catecismo pequeno e algumas porções das Escrituras, de acordo com a sua capacidade.

Muito cedo na sua vida, meus filhos, aprenderam distinguir entre o domingo e os outros dias da semana; sim, antes de poderem falar ou andar. Aprenderam cedo a ficarem quietos na hora do culto doméstico, e a dar graças à mesa, pelos gestos, antes de poderem ajoelhar-se ou falar. […] Reconstruída a casa e as crianças todas de novo no lar, começamos uma reforma rigorosa; então adotamos o costume de cantar Salmos na abertura das aulas, de manhã e à tarde. Então, também, a observância de um retiro geral, às dezessete horas, quando o mais velho tomava o mais moço que podia falar, e a segunda outra na ordem da idade, aos quais liam os Salmos que tinham estudado durante o dia, e um capítulo do Novo Testamento; da mesma sorte na hora de levantar, elas tinham de ler os Salmos e um capítulo do Antigo Testamento; depois disto, cada qual fazia oração particularmente, antes de almoçar ou juntar-se com a família. E, dou graças a Deus, que o costume é ainda observado entre nós.”

Como auxiliadora do seu marido, Susanna organizava a rotina familiar de tal forma que ela não perdesse nenhum dos seus filhos de vista, isto é, ela cuidava da vida espiritual deles, da educação moral e escolar, bem como de cada momento em que estavam reunidos.

O culto familiar, os versículos que deveriam ser lidos, a distinção que deveriam aprender a fazer entre os dias da semana e o domingo, como um dia de culto especial a Deus no seio da sua família, era nada mais, nada menos, que o “processo de salvação” da alma dos seus filhos. Ela sabia que não poderia pestanejar, pois o mundo estava ali ao redor gritando seus costumes, e por experiência, sabia que as crianças eram rapidamente afetadas pelos maus costumes da sociedade, da cultura.

Susanna Wesley dedicou-se ao cuidado da sua família, mas antes por amor a Deus. Acredito que se ela não amasse ao Senhor jamais teria forças para renunciar o mundo, como ela mesmo escreveu. Antes, foi uma tarefa árdua para si própria, mortificando suas vontades em detrimento da vontade divina.

 “Ajuda-me Senhor, a lembrar que religião não é estar confinada à igreja ou a um cômodo, nem se exercitar somente em oração e meditação, mas é estar sempre na Tua presença.”

(Susanna Wesley)

Imagem extraída de: http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings/samuel-wesley-senior-16621735-susanna-wesley-and-samuel-we80692

Fonte: http://orapto.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=70%3Acriacao-de-filhos&catid=38%3Ameditacao&Itemid=75

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