Dona de Casa: A Profissão Fora de Moda (Parte 2)

“Há uma imagem francesa recorrente de uma dona de casa sentada com tristeza em um jantar porque ninguém quer conversar com ela. ‘Tenho duas amigas que não trabalham. Sinto que ninguém se interessa por elas’, diz Danièle. Ela é jornalista, tem 50 e poucos anos e uma filha adolescente. ‘Quando os filhos crescem, qual é a sua utilidade social?” (Crianças Francesas Não Fazem Manha. Pamela Druckerman)

“Mas as mães com quem converso dizem que quase não conhecem nenhuma mulher que escolha ficar em casa em tempo integral. ‘Conheço uma, e ela está prestes a se divorciar’, diz minha amiga Esther, a advogada.” (Crianças Francesas Não Fazem Manha. Pamela Druckerman)

halloween1

Acho que vocês se lembram do UPDATE da semana passada em que eu falei que precisamos ter filtro ao ler livros, certo? Aqui está o meu post, fruto de um tema que passou pelo meu! As duas citações acima são de um livro muito interessante que trata sobre vários temas relacionados a filhos, porém um deles é uma apologia ao trabalho fora de casa, como fica evidente nas falas destacadas.

Estou no ônibus lendo o livro com paciência e engolindo seco as espetadas, quando me dou conta de que são por essas falsas ideias que ser dona de casa está tão fora de moda: ser dona de casa é uma coisa triste; ser dona de casa é atestado de fracasso profissional; ser dona de casa é ser desocupada; ser dona de casa é só saber falar de filhos e panelas sujas; ser dona de casa é ser alguém com pouco valor, com o qual ninguém quer se relacionar; ser dona de casa é… uma coisa que ninguém mais quer!

Mas acho engraçado que confrontando essas ideias e falas com a Palavra de Deus, encontro outras verdades. Não me parece que a mulher de Próverbios 31:10-31 seja qualquer uma dessas coisas. Ela não me parece triste (A força e a honra são seu vestido, e se alegrará com o dia futuro. v.25); não me parece fracassada profissionalmente (Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto de suas mãos. Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços. Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca. v. 16-19); não me parece desocupada (Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas. v. 15); não me parece bitolada em poucos assuntos (Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua. v.26); não me parece ser alguém desinteressante (Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva. v. 28). Muito pelo contrário, essa mulher é a mulher que eu gostaria de ser! Todos gostam dela, ela é multitarefas, tem vários talentos, o marido dela a ama e confia nela, os filhos a admiram, ela teme ao Senhor e “por acaso” é dona de casa.

Eu já estou deveras cansada dessa história de que uma dona de casa é uma mulher desocupada. É irritante ouvir as pessoas falarem desse modo e com tamanho desprezo, sendo que suas mães ou avós foram donas de casa dedicadas e que graças a elas, foi possível crescer com saúde, estudar e ter uma boa educação. Tenho vontade de gritar as palavras de G. K. Chesterton quando diz: “[…] quando as pessoas começam a falar dessa função doméstica não mais como algo somente difícil, mas atribuem-lhe os rótulos “trivial” e “monótona”, então eu simplesmente desisto de discutir. Pois por mais que empenhe toda a energia da imaginação não consigo entender o que querem dizer com isso… Ser a rainha Elizabeth numa esfera delimitada, tomando decisões sobre vendas, banquetes, trabalhos e feriados; ser Whiteley numa determinada esfera, fornecendo brinquedos, botas, lençóis, tortas e livros; ser Aristóteles numa determinada esfera, ensinando moral, bons modos, teologia e higiene — entendo como isso poderia exaurir a mente, mas definitivamente não consigo imaginar como poderia estreitá-la. Como é que ensinar a regra de três para as crianças dos outros pode ser uma grande e ampla profissão e ensinar suas próprias crianças a respeito do universo, uma profissão restrita?”

Sinto que “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”, como afirma Nando Reis em uma música. Hoje se valorizam coisas tão fúteis e se desvaloriza as coisas que realmente valem alguma coisa. Claro, não quero afirmar aqui que TODAS as donas de casa são mulheres excelentes e prendadas, como a mulher de Provérbios 31. Certamente existem muitas donas de casa que não cumprem o seu papel como deveriam. Que são ociosas e perdem tempo demais vendo novelas e fazendo fofoca com as vizinhas. Elas estão pecando. Mas não é por causa dos maus exemplos que podemos colocar todas as donas de casa dentro de uma caixinha da preguiça e justificar a desatenção ao ensinamento bíblico.

Martha Peace em seu livro Esposa Excelente, destaca a importância de a dona de casa ser diligente ao invés de ser preguiçosa. “A esposa deve ser boa e eficiente no que faz, não perder tempo e não ser preguiçosa. Se for preguiçosa deve arrepender-se. Uma pessoa preguiçosa pode estar sempre fazendo alguma coisa, contudo, sempre são atividades que promovem a ‘boa vida’, como ler, assistir televisão, ficar deitada na cama e etc.”

Ao contrário disso, a mulher de Provérbios tinha várias atividades ao longo do dia, mas suas atividades estavam sempre ligadas ao bem-estar da sua família. E esse deve ser o objetivo de uma esposa: cuidar bem da sua família, ter como prioridade o bem-estar do seu marido e filhos, não só lavando suas roupas e preparando as refeições, mas zelando pelas suas almas.

Para saber mais sobre o tema: http://www.mulherespiedosas.com.br/as-mentiras-do-feminismo-por-rebecca-vandoodewaard/#more-752

E me apropriando da observação de Rebecca VanDoodewaard: Eu não tenho a intenção de comunicar, com esse artigo, que o trabalho fora de casa é necessariamente errado. O que eu intenciono tratar é o falso pressuposto cultural de que uma mãe / dona-de-casa não sabe de nada, não faz nada, e não contribui em nada, quando é ao contrário, é uma alta vocação e realização de um chamado.

Com amor,

Bruna

Anúncios

Um pensamento sobre “Dona de Casa: A Profissão Fora de Moda (Parte 2)

  1. Querida Bruna!
    Sabias palavras!
    É uma pena que exista tanto preconceito com algo tão importante, tenho a mesma visão que vc!
    Deus te abençoe!
    Muito Obrigada por compartilhar conosco!
    Sempre que posso leio seu blog!
    Bjinhos com gostinho de brigadeiro, pra vc, para o Pedro Queridão e para a Lulu!
    #vemlulu #floripateespera

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s