DICA II: Prepare um lugar aconchegante para o seu bebê

mobile marinheiro

 

Sobre a dica anterior, um dos comentários que me chamou a atenção, foi: “[…] mas um quarto todo branco também não dá!”

Gente, quarto de criança não é quarto de hospital. Como eu disse naquele post, coisas de criança, em geral, são bastante coloridas, bem vivas, além de ter várias impressões de imagens de “animaizinhos”, “bonequinhos”, “estrelinhas” e assim vai. Percebam que objetos para quartos de bebê, de recém-nascido, são mais claros, cores mais suaves. Nem tudo é branco e nem tudo tem cor vibrante. Percebam também que, normalmente, os objetos para crianças, com o passar do tempo, vão de fato ficando mais coloridos, mais elaborados e isso tem um motivo que está ligado ao desenvolvimento da criança.

Em uma busca rápida na internet sobre quarto de bebês, é fácil encontrar pequenos artigos de arquitetos, e a maioria dos que li, diziam que as mães não queriam mais aqueles velhos tons pastéis, mas queriam uma mistura mais “moderna”, mais “retrô” para o quarto do bebê; uma decoração que combinasse com a casa. E é justamente isso o que acontece, a preocupação volta-se para o trivial e deixa-se o necessário, o prático, o básico, o melhor de lado, em nome do gosto, da tendência e das visitas.

Para tentar ser mais clara, os bebês não necessitam desses tipos de quarto (ou desses tipos de coisa), não necessitam dos quadrinhos, dos bichinhos, nem aqueles do tom mais suave. Para o bebê isso não importa nos primeiros dias ou semanas de vida (mas eu sei que é uma delícia comprar as coisas para o quarto do bebê). O que o bebê realmente precisa é de um lugar aconchegante, seguro, limpo! Ele não precisa e nem está prestando muita atenção a esses quadrinhos, ao ursinho de pelúcia, aquele abajour lindo que você comprou, as fotos que decoram o quarto, ao tapete de bom gosto perto do berço… Na verdade ele quer ver você, mãe e pai, ele quer ouvir você, mãe e pai, quer e precisa ser alimentado, quer e precisa ter uma boa noite de sono (o que é muito bom para o seu crescimento físico e desenvolvimento cognitivo!), só isso!

Também, além do gosto, da tendência em relação a esse tipo de decoração é comum que alguns pais preencham o quarto pensando nos tais estímulos que auxiliam no desenvolvimento do bebê. É normal (e em partes deve ser assim), que os pais se preocupem com o desenvolvimento do seu filho como um todo. Nós querem filhos fisicamente saudáveis, cognitivamente bem desenvolvidos, respondendo aos estímulos do ambiente, etc., mas muitas vezes nós não sabemos a forma mais adequada para estimular os bebês e em qual fase se deve fazer isso ou aquilo, por isso eu tenho repetido que esses estímulos visuais para o bebê de nada importam nos primeiros dias de vida e de certa forma os atrapalha em relação ao seu desenvolvimento quando, por exemplo, ele fica agitado para dormir naquele ambiente preparado para o sono, no momento em que ele deveria estar descansando.

Pelo que percebo, os pais (e também professores) tendem a oferecer todos os estímulos possíveis em uma única dose e mergulham no mundo das comparações: “Meu filho já começou a andar. O seu não? Mas eles tem a mesma idade! Será que está tudo bem com ele?” Gente, essa frase é clássica e esse comportamento também. O que os pais, muitas vezes, não se dão conta, é que eles parecem se preocupar com eles mesmos. O quarto é montado com exageros, com brinquedos que um recém-nascido não usa, com cores vibrantes que não fazem qualquer pessoa descansar, com móbiles sobre o berço que só atrapalham o recém-nascido ao dormir… São muitos estímulos além da fala dos pais, além dos sons da rotina do ambiente (TV, conversas, música, trabalhos domésticos, telefone e por aí vai). É importante prestarmos mais atenção à saúde do bebê!

Desde o ventre materno, o bebê já responde a estímulos dentro da barriga da mãe que corresponde a formação do seu desenvolvimento na zona cerebral (sinapses) que após o nascimento tendem a atingir seus picos e diminuir. Em suma a formação das sinapses podem ser apresentadas assim:

Funções cognitivas superiores responsável pelo planejamento e execução de atividades (controle inibitório, resolução de problemas, memória, comportamento, relacionamentos, tomada de decisão, etc.): iniciam a sua formação por volta dos 3 meses antes do nascimento, isto é, a partir do sexto mês de gestação e tendem a diminuir por volta do primeiro ano de vida.

Formação de sinapses responsável pela recepção da linguagem e produção da fala: as sinapses nessa região vão se formar um pouco antes do último mês de gestação, entram num processo rápido de crescimento dos 3 aos 6 meses de idade (após o nascimento) e chegam ao máximo entre os 8, 9 meses de idade, a partir daí as sinapses vão caindo.

Formação de sinapses responsável pelo processamento visual e auditivo: inicia um mês antes do nascimento e atinge seu pico de formação por volta do terceiro mês de idade.

A formação das sinapses tem seu início, pico e término, por isso, quando se fala em desenvolvimento da criança, divide-se em etapas, fases (pensando no desenvolvimento de um modo geral, não adentrando às particularidades da vida de uma criança) e não é necessário estimular todas essas funções de uma vez, e se assim acontecer, poderá ocorrer uma sobrecarga desnecessária na formação do seu bebê, por isso eu insisto tanto na comunicação com o bebê.

Se você quiser saber mais, pesquise sobre o assunto, leia sobre as diferentes linhas que apresentam esses estímulos do desenvolvimento, converse com um médico pediatra, mas não foque nas respostas de pedagogos de escolas infantis e nem das universidades porque normalmente eles se baseiam em uma linha de pensamento da Psicologia Vigostkiana, construtivista (que em relação a educação é totalmente ineficaz). Fique atento!

Até a próxima dica e mais uma ótima sexta-feira pra vocês! 🙂

 

 

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