Sobre a “demonização” da maternidade

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Não é de hoje que ouço tantas coisas ruins sobre a maternidade, mas foi, certamente, depois da gestação que comecei a prestar mais atenção ao modo desdenhoso, e até agressivo, com que as pessoas falam da maternidade. Desde ameaças a gestantes até sutis imagens na internet, parece que o mundo grita: chega de família!

Contrariando tudo o que a Bíblia ensina sobre a verdadeira vocação de uma mulher (que não seja celibatária), a nossa cultura tem despejado sobre nós toneladas de “argumentos” e “obrigações” para dificultar cada vez mais a formação de uma família saudável que glorifique a Deus. Nem preciso falar do modo descarado como o feminismo interferiu em tudo isso, empurrando as mulheres para fora do lar e inculcando nelas uma (falsa) importância de trabalhar e servir fora de casa. Ser mãe tornou-se algo obsoleto, ultrapassado e monótono.

Tenho frequentado espaços públicos para mães e bebês aqui na Itália e basta 5 minutos para começar a ouvir todo tipo de reclamação e chegar a conclusão: ser mãe é tarefa enfadonha. A sensação que eu tenho é que as mães estão continuamente se colocando nessa posição de vítima e de “ser inferior” como se toda a vida delas tivesse sido arruinada e bagunçada no momento em que deram à luz. Frequentando o curso pré parto o que eu via eram mulheres sorridentes, em sua maioria, cheias de esperança e amor pra dar. Logo no primeiro encontro pós parto só deu pra ouvir reclamações e uma concorrência de quem tem o pior filho, quem dorme menos, quem passa mais tempo amamentando, quem perdeu mais com a maternidade.

Estou completamente exausta de frases do tipo: “Aproveite para dormir agora, quando o bebê nascer você não vai conseguir dormir nada.” O que é isso, gente? Isso é coisa que se diga a uma mulher cheia de esperança e amor por seu bebezinho que ainda nem nasceu? Por acaso você sabe se o bebê dela vai ficar acordado a noite inteira? Eu tinha uma palavra pra isso durante a gravidez: TERRORISMO. E isso não se faz. E ainda que você tenha passado por dezenas de noites mal dormidas com seu filho, será que não tem nada de bom pra falar das outras dezenas em que ele dormiu sozinho? Ou das centenas de sorrisos que encheram seu coração de alegria? Ou do quanto Deus abençoou a sua vida te dando um filho? Como diriam os italianos: “Ma per favore!” (Com mão de coxinha)

Criar filhos, diferente do que convencionou-se pensar em nossa cultura, é muito mais do que limpar nariz, levar ao médico e colocar numa boa escola. Deus nos deu filhos para criá-los para a Sua glória e isso é muito sério. “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Deuteronômio 6:6-7). Que grande tarefa o Senhor nos deu! E de que modo podemos falar de criação de filhos com palavras de desdém? Esse foi o chamado principal que o Senhor nos deu, enquanto mulheres: sermos esposas e mães. Para isso fomos criadas. “Para que ensinem as mulheres mais novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos;” (Tito 2:4). A Palavra de Deus valoriza a maternidade, valoriza a família. Muito diferente do que se faz atualmente, com discursos do tipo: “Filho é despesa”, ou “filho só dá trabalho”. As pessoas tratam a gravidez como se fosse uma DST, que deve ser evitada a todo custo.

A Bíblia nos ensina que ter filhos é uma bênção, que é uma alegria. E como disse em outro post, todos os argumentos contra filhos “convergem para uma vida egoísta e ensimesmada, na qual Deus não é o centro e a glória de Deus não é o objetivo e sim carreira, bem-estar, casamento entre outras coisas.” Deus ordenou em Gênesis 1:28 que Adão e Eva se multiplicassem e povoassem a terra, essa é a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:2), logo com que autoridade nós dizemos que ter filhos é ruim? Que é inconveniente? Que nós não queremos? Como assim, gente?

É claro que isso soa muito mal aos ouvidos da nossa “geração conforto”, em que toda a casa tem que ser a melhor casa, toda refeição tem que ser a melhor refeição e toda escola tem que ser a melhor escola. Com certeza um pessoa pensará 2, 3, mil vezes antes de ter um filho que tire qualquer quantidade do seu conforto, com a desculpa, muitas vezes, de que o conforto é para ele: “ah! mas educação é uma coisa tão importante né? Prefiro não colocar mais um filho no mundo que vai crescer sem oportunidades.” Ah vá! Se você for honesto consigo mesmo vai perceber que quem não quer parar de comer em restaurantes é você, quem não quer abrir mão da TV a cabo e do carro 0km é você! Simone Quaresma em uma palestra mencionou a desculpa: “Deixo de ter filhos pra poder ter mais dinheiro” e depois completa “aquele mesmo, que eu não vou poder levar pro céu!”. Resumem a criação de filhos a coisas terrenas e momentâneas. Só pode ser por essa razão que largam os filhos por horas a fio na frente da Galinha Pintadinha! “Realmente, não há boas razões nas Escrituras para evitar ter filhos. Se você está providencialmente impedido de ter filhos, talvez Deus esteja te chamando a adotar filhos. De qualquer forma, nós, como cristãos, devemos nos deleitar em ver crianças em nossas congregações, nossas casas, e nosso círculo de amigos. Parece-me que uma quantidade de casais cristãos está perdendo essa bênção por razões bastante pobres e antibíblicas.” afirma Gabriel Fluhrer (tradução Fernanda Vilela).

Falam de boca cheia sobre como precisamos evangelizar, como o mundo precisa mais de Cristo, enquanto os próprios filhos não ouvem, nem testemunham da obra de Cristo dentro de casa. Criar filhos para o Senhor é tarefa séria, de tempo integral. Exige paciência e perseverança. E eu me recuso a ouvir sobre essa tarefa como monótona, enfadonha ou menor. Estou cansada de ouvir mulheres cristãs sendo contrárias ao trabalho no lar, à dedicação exclusiva à família e fazendo comentários desagradáveis sobre bebês, seja entre amigas mães, seja para mulheres grávidas. Ecoa na minha mente aquele versículo: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12:2). Parem de reproduzir o discursinho barato desse mundo, parem de fazer de conta que vocês não têm um chamado do Senhor para a maternidade!

Precisamos voltar ao evangelho e ter mais cuidado com aquilo que falamos e pensamos sobre o plano de Deus para as nossas vidas.

“Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas na mão do arqueiro assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não será confundido quando falar com seus inimigos à porta.” Salmos 127:3-5

Para saber mais sobre o tema:

http://reforma21.org/artigos/a-familia-sol-la-e-so.html

http://comamornolar.com/2013/12/27/ter-filhos-por-que-nao/

Palestra Simone Quaresma: https://www.youtube.com/watch?v=LgF0dkRyUw0

http://reforma21.org/artigos/quanto-custa-um-filho-nao-eu-nao-estou-vendendo.html

Com amor,

Bruna

 

 

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