É a Cristo que estamos servindo!

Desde que começamos o blog e começamos a pensar mais no mundo cristão feminino, caímos quase que imediatamente no assunto “ser dona de casa” e tudo mais que este assunto aborda. Neste blog, acredito que nós todas já tenhamos feito algum post que, de alguma forma, tenha apontado em como cada vez mais a mulher é desestimulada a se dedicar a sua família, sua casa, etc; e, como a Bíblia reafirma a importância da mulher cuidar de sua casa. E claro, sempre voltamos ao fato de como donas de casa são desvalorizadas e em como é fácil tornar esta posição – que é sem dúvida uma posição tão árdua e importante -, em uma posição de menor e de menos importância/valor do que qualquer carreira profissional ou outra ocupação. Sim, tudo isto é verdade. E, acredito que devemos defender e dar valor a estas mulheres que se dedicam à carreira de mãe e dona de casa! Devemos olhar para nossas mães, amigas e irmãs em Cristo e admirá-las, pois haja fôlego e graça para esta carreira que, como disse Chesterton, pode ser severa e pesada, mas de modo algum é trivial ou monótona!

Entretanto, há algum tempo venho me questionando o quanto a nossa necessidade de reconhecimento pode esconder um coração vaidoso e orgulhoso que busca honra e glória nesta terra. Não é um problema exclusivo de quem se dedica integralmente ao lar, é um problema do ser humano. Nosso coração corrupto quer sempre obter reconhecimento e glória, é o natural. Porém, nós cristãos, estamos sempre lutando contra nossa carne, contra aquilo que é “natural”. Pense comigo: é natural amar nossos inimigos e orar por eles? -Não, mas é isto que Cristo nos manda fazer. É natural obedecermos nossos pais quando solteiras? Perdoar quem nos ofende? Sermos submissas aos nossos maridos? Não, nós cristãos temos a consciência de que o pecado atinge todas as áreas de nossa vida, e estamos o tempo todo tomando atitudes “antinaturais”.

De fato, há um grande inimigo contra o qual nós, mulheres que decidimos ficar em casa, precisamos lutar diariamente (e principalmente nos dias de TPM) que é nossa vaidade e orgulho. Quantas vezes lastimamos e temos pena de nós mesmas por não termos sido reconhecidas por algo que fizemos ou por termos recebido uma cara de desdém quando respondemos a pergunta sobre qual nossa ocupação? Sim, todo o desdém e falta de reconhecimento do trabalho do lar  não é agradável, nem correto. Porém, para quem trabalhamos afinal? Não estamos nós cumprindo nosso chamado para a GLÓRIA DE DEUS? São muitos os textos bíblicos que apontam para o fato de que tudo que fazemos, devemos fazer como para o Senhor e de que devemos servir, amar, perdoar sem esperar nada em troca. Colossenses 3, que aborda bastante as relações familiares aponta o tempo todo que devemos glorificar a Deus com nossas palavras e ações:

“Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai. Colossenses 3:17

“Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. (Colossenses 3:20)

“Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.” (Colossesses 2:23-24)

Assim como todo pecado, vemos que a questão está no coração, somos egocêntricos (ou seja, nos adoramos, nosso ego é nosso deus) e muitas vezes temos sim o desejo de sermos aduladas, lisonjeadas, afinal precisamos sustentar nosso orgulho e vaidade. Precisamos cuidar para que nosso coração não esteja no caminho errado. Ainda que olhem com desdém para nossa ocupação de “donas de casa”, ainda que depois de um dia inteiro colocando as coisas no lugar, alimentando nossos filhos, lavando roupas, ensinando as crianças, ouvindo nossos maridos, alguém pergunte o que ficamos fazendo o dia inteiro em casa; e ainda que nosso coração corrupto queira receber glória por tantas coisas que fazemos; devemos lembrar que, por meio do serviço a nossa família, é a Cristo, o Senhor, que estamos servindo e somente a Ele devemos dar glória, e se, com nosso serviço, glorificamos a Deus, cumprimos a finalidade principal de nosso chamado!

E se não ganhamos o reconhecimento social de nossa ocupação faremos nosso serviço de qualquer maneira? De jeito nenhum! Devemos cumprir nosso chamado com ainda maior excelência, afinal, o fazemos para o Senhor e estamos todo tempo sob suas vistas (coram Deo)!

” “A grande idéia da vida cristã é coram Deo. Coram Deo capta a essência da vida cristã”. Esta frase literalmente se refere a algo que ocorre na presença de, ou perante a face de, Deus. Viver coram Deo é viver uma vida inteira na presença de Deus, sob a autoridade de Deus, para a glória de Deus.
Viver na presença de Deus é compreender que qualquer coisa que fizermos, e em qualquer lugar que o fizermos, estamos agindo sob o olhar de Deus.
[…]
Isto significa dizer que se uma pessoa realiza sua vocação como produtor de aço, advogado ou dona de casa coram Deo, então essa pessoa está agindo tão religiosamente quanto um evangelista e pescador de almas que cumpre a sua vocação. Isso significa que Davi era tão religioso quando obedeceu ao chamado de Deus para ser um pastor de ovelhas quanto foi no momento em que foi ungido com a graça especial de realeza. Significa que Jesus foi tão religioso enquanto trabalhou na carpintaria de seu pai quanto foi no Jardim do Getsêmani. ” (R.C. Sproul)
Reforma e Razão – Definição de Coram Deo/ R.C. Sproul

Se não cumprimos nosso chamado tendo consciência de que nossa plateia é o próprio Deus, vivemos como os que desprezam a Deus.

Por último cito algo sobre o egocentrismo:

“O egocentrismo é predominante, porque é a própria essência do pecado. O pecado exige a autonomia do ego, em vez de submissão a Deus; a satisfação do ego, em vez do amor a Deus e ao próximo; e a glória do ego, em vez da exaltação da glória de Deus. […]
Tudo que temos realmente de fazer para ver a condenação de nosso próprio egocentrismo é meditar na jornada terrena de Jesus Cristo. Na vida de Jesus, vemos servidão autossacrificial como a definição viva do amor de Deus. Jesus resumiu todo o seu estilo de vida quando disse: “O Filho do Homem… não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28).” (Richard Phillips)
Mulheres Piedosas – O egocentrismo na família

 

Que Deus nos ajude!
Esther.

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