Eu disse adeus à papinha!

O nosso pediatra é de uma linha muito natural, acho que a frase que mais ouvimos dele foi: “vita normale!”, ou seja, vida normal. Ele nos fez compreender ao longo do primeiro ano da Luísa, que um bebê não é um ET que precisa de um tratamento totalmente diferente do que recebemos. Mas, que mesmo com um bebê devemos levar a vida de forma normal e natural. E foi nesse estilo que ele nos apresentou o “autosvezzamento”, que em português poderia ser traduzido por “auto desmame”. Porém, não é o desmame completo, trata-se da introdução de outros alimentos, que deve ocorrer por volta dos 6 meses de vida do bebê.

Desde o Dr. De Lamare, no clássico “A Vida do Bebê”, é que se lê sobre a introdução gradual de alimentos para os bebês. Fala-se sobre introduzir primeiro isso, depois aquilo, observar reações (alérgicas e de intestino) e assim seguir até o segundo ano do bebê, certo? Porém, a proposta feita pelo nosso pediatra e por essa outra linha teórica aqui da Itália (que acho que aos poucos tem chegado ao Brasil), é outra. A proposta é a da “alimentação familiar”.

Gosto muito do conceito que tem no site autosvezzamento.it:

Autosvezzamento è vivere pasti sereni in armonia con tutta la famiglia, pasti durante i quali si mangia tutti assieme e si condivide il piacere della tavola, con tutti i risvolti educativi e culturali che il cibo porta con sé.

Auto desmame é viver a comida de forma serena e em harmonia com a família,  comida essa que se come todos juntos e se compartilha o prazer da mesa, com todos os aspectos educativos e culturais que a comida traz consigo. (tradução livre)

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Luísa, 6 meses, experimentando a comida do restaurante favorito da mamãe!

Então, antes de entrar nos detalhes do como, o importante é compreender o conceito de levar uma vida normal e natural com seu bebê e deixar que ele se interesse pela alimentação (familiar) que ele vê.

No nosso caso percebemos o início do interesse da Luísa por volta do quinto mês. Como o pediatra sugeriu e o livro que lemos também, assim que ela começou a se esticar para provar a nossa comida, começamos a dar pequenas porções para que ela experimentasse. Quando ela completou 6 meses começamos a sentá-la na mesa conosco e a oferecer um pouco daquilo que comíamos. Um ponto que considero positivo nesse “método” é a forma como ele permite cada coisa a seu tempo, sem forçar nada, permitindo que a hora de comer seja algo interessante pra criança e prazerosa para os pais.

Mas, para tudo funcionar direitinho é necessário que os membros da família tenham uma alimentação saudável. Eu sei que atualmente o conceito de alimentação saudável é bastante subjetivo e variável, passando desde uma dieta vegetariana, até dietas baseadas somente em proteína, porém, o que o nosso pediatra e os livros que tratam sobre o tema consideram saudável é aquela velha dieta equilibrada da vovó: arroz, feijão, carne, salada, frutas e verduras.

Claro que essas verduras podem se transformar em um delicioso purê, afinal, algumas vezes nós também comemos purê certo? Mas a grande questão é não ficar preso ao esquema e nem a forma de “comida de bebê”.

#Minha Experiência

Daquilo que vivi com a Luísa e que acompanhei de outras mãe o que posso dizer é que, apesar de parecer radical ou revolucionário, na verdade é a coisa mais natural e prática a ser feita. Confesso que no primeiro mês foi bem difícil para mim. Primeiro pela questão cultural: não é todo mundo que dá polenta e frango com molho para o seu bebezinho de seis meses. Então, várias críticas e olhares de reprovação surgiram. Segundo pela questão da “separação”, na medida em que o meu leite ia sendo aos poucos substituído pelo alimento sólido e de uma certa forma, para mim era como uma perda. E em terceiro lugar por ser mãe de primeira viagem, e como em todo o resto, eu não me sentir 100% segura daquilo que estava propondo.

Passado esse primeiro período, superado algumas críticas, compreendido que o carinho da amamentação pode ser substituído pelo carinho em outros momentos do dia (inclusive com boas risadas à mesa) e passada a fase de “mãe de primeira viagem”, tudo fez muito sentido para mim e hoje sou muito feliz e realizada vendo a forma como minha filha come.

Luísa é uma bebê saudável que ama frutas e verduras, arroz, carne, massa, queijos (afinal, estamos na Itália), iogurtes e todo tipo de comida de qualidade! Ver ela comer e se satisfazer com aquilo que eu cozinho e lhe ofereço me traz muita alegria e satisfação. Além disso, nada melhor do que poder sair de casa tranquila sem potinho de papinha pra dar a ela no restaurante! 🙂

  • Para saber mais:

Site: http://www.autosvezzamento.it/ (em italiano)

Livro: Io mi Svezzo da Solo – Lucio Piermarini (em italiano)

link para ebook: Io mi Svezzo da Solo

*No Brasil o que mais se aproxima desse “método” é o BLW (Baby Led Weaning), mas já adianto que, além de eu não concordar com tudo o que o BLW propõe, ele apenas se aproxima mais da alimentação familiar do que as papinhas, mas ainda não é a proposta da alimentação familiar que trato no texto.

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